Roberto Martínez falou da seleção dos Estados Unidos, comentou uma opinião de Carlo Ancelotti e falou ainda das seleções favoritas a vencer o próximo Campeonato do Mundo, numa conferência de imprensa realizada no Estádio Mercedes-Benz, onde Portugal vai realizar o segundo «teste» para a fase final do Mundial 2026.
EUA sentiram dificuldades diante da Bélgica (2-5), com que opinião é que ficou?
«Já estou há dez anos a trabalhar no futebol internacional e o que aprendi é que nunca se deve avaliar as equipas em março. A razão é porque só vamos voltar a estar juntos cinco meses depois e a vez anterior foi em novembro. É uma altura em que os jogadores não se querem lesionar, porque ainda vão ter jogos importantes nos clubes. Conheço bem o trabalho do [Mauricio] Pochettino na Premier League, sei como trabalha. No jogo frente à Bélgica fizeram uma boa primeira parte, na segunda parte a qualidade da Bélgica tornou-se muito eficiente e o resultado final não traduz da melhor forma o que se passou nesse jogo. Mas, pela minha experiência, não se podem fazer grandes julgamentos sobre estes jogos de março».
EUA sente mais dificuldades diante de seleções europeias
«A questão dos duelos com equipas europeias está fora de contexto. A questão é se é um jogo num grande torneio ou se é apenas um jogo de preparação. Não é possível compararmos um jogo amigável, com um jogo de qualificação ou mesmo com um jogo numa fase final. Tanto pode ser uma equipa da Europa, como da Ásia, como de África, o importante é ter uma identidade própria, desenvolver os teus jogadores com uma mentalidade que a primeira equipa precisa. Depois ter a capacidade de ser flexível, no futebol internacional é muito importante. É por isso que estamos aqui, queríamos esta experiência frente a equipas da Concacaf. Temos de ter flexibilidade para que o nosso talento possa brilhar. Há coisas fantásticas que estão a ser feitas no futebol norte-americano, como as infraestruturas, as condições de trabalho e com os clubes a competir nos grandes torneios. Têm um treinador fantástico, precisam agora de um bocadinho de sorte no momento certo num grande torneio. Isso pode inspirar futuras gerações».,
Visto de fora, como tem visto o trabalho Pochettino nos EUA?
«É difícil comentar, é sempre difícil falar de uma seleção que não fez a fase de qualificação, como é o caso dos anfitriões. É uma pergunta que posso responder melhor amanhã, depois do jogo, mas, pelo que já vi, é uma equipa que tem qualidade, muito agressiva, que faz uma pressão muito alta. É uma equipa que joga com confiança, muito atlética e com jogadores que podem fazer a diferença em qualquer momento, como Pulisic, o Balogun, que podem criar perigo em qualquer momento. O Pochettino criou isso, uma claridade muito grande, uma identidade e uma grande competitividade»
Carlo Ancelotti diz que a equipa que vai ganhar o Mundial é a que sofrer menos golos e não a que marcar mais golos. Concorda?
«No futebol, se marcares mais golos do que o adversário, ganhas o jogo. É uma questão de estilo, é uma questão dos jogadores que tens, é uma questão da ideia. É fácil ganhar um jogo e manter a baliza a zeros quando tens capacidade para marcar, mas se puderes marcar mais golos do que o adversário também tens possibilidades de ganhar. Há muitas formas de ganhar jogos. O importante é seres muito bom na tua forma».
França e Espanha são apontadas como grandes favoritas. Coloca Portugal nesse grupo?
«Já disse muitas vezes, acho que as seleções que já ganharam o Mundial é que podem ser favoritas. Uma das coisas importantes para seres campeão do mundo é o talento e outra é a barreira psicológica de querer ganhar um Mundial. É um bom debate, é bom falar das seleções. Todos vão fazer pelo menos três jogos e será nesses três jogos que se vai ver quem pode ser campeão. Só há oito seleções do Mundo que já ganharam um Mundial e acho que são essas que podem considerar candidatas quando estão num bom momento de forma. Nós ganhámos um Europeu, ganhámos duas Ligas das Nações, mas a melhor posição num Mundial foi um terceiro lugar em 1966. Para nós seria algo que nunca foi feito, então vamos com muita humildade. Há muito talento, há muito compromisso dos jogadores e agora é procurar sacar o máximo de rendimento nesses três jogos para ver a que nível vamos estar».