Roberto Martínez, selecionador de Portugal, voltou a apresentar-se diante dos jornalistas, para uma segunda conferência de imprensa, agora no palco do jogo com os Estados Unidos, o Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta.

Abordagem ao jogo? Qual a estratégia para um jogo com onze substituições? É importante rodar a equipa?

«Exatamente, essa é uma observação importante. Não é utilizar as substituições por utilizar, precisamos sempre de acompanhar o jogo. O jogo pode mudar e precisamos de ajustar taticamente e pode servir para ajudar a equipa a tentar ganhar. O foco do estágio é ganhar os dois jogos? Não, o foco do estágio é o jogador, é o mérito do jogador de poder vestir a camisola de Portugal. Experimentei isso frente ao México, podemos ver um Portugal na primeira parte e um Portugal na segunda parte depois de sete substituições. Isso é muito positivo porque mostra a capacidade do jogador entender os conceitos, a capacidade do jogador de poder executar o seu papel no relvado. E para nós também é importante ter um estágio para o Mundial onde a preparação seja perfeita».

«Fizemos isso com o treino ao nível do mar e depois a jogar em altitude. Jogar fora de casa diante de uma equipa como o México, com um ambiente tão especial. Agora outra equipa da Concacaf com um estilo diferente e também num estádio fechado, tal como nós vamos jogar dois jogos em Houston. Os aspetos da preparação são importantes, recriar a complexidade que o torneio vai ter, mas o foco agora é no desempenho do jogador. Acredito muito em todos os jogadores, se pudesse, gostava que todos os jogadores tivessem minutos. Depois do treino de hoje, vamos avaliar todos os jogadores, não será o momento para tomar riscos, mas é o momento para experimentar, para procurar novas soluções e poder eleger a melhor lista de convocados para o Mundial. Mas, sempre que um jogador veste a camisola de Portugal, é para ganhar.»

Serão os primeiros jogos com paragens para hidratação em cada uma das partes. Está contente com essa inovação?

«Não nos cabe a nós dizer se gostamos ou não, penso que temos de nos adaptar aos tempos. Penso que é justo ser feito em todos os jogos, não seria justo se só acontecesse em alguns dos jogos. O que é verdade, penso que para todos, para os adeptos, é que o jogo não muda. É uma paragem tática. Claro que é uma pausa para hidratar, mas em três minutos, já vimos isso noutros desportos, o jogo pode mudar, as equipas podem mudar. Já aconteceu com o México, foi um momento em que tentámos ajudar os jogadores de formas diferentes. Consideramos que estas pausas podem ser pausas táticas».

«Temos de ter capacidade de nos adaptarmos, é mais difícil quando o jogo está a decorrer, mas essa paragem com os teus jogadores permite-te fazer isso. Não podes planear previamente o que vai acontecer, mas é uma oportunidade para ajustar a equipa. Penso que vai tornar o jogo mais tático, além das cinco substituições. Já não se pensa apenas no onze inicial, pensa-se também como é que vai acabar a equipa, depois de cinco alterações. O jogo vai ser mais tático do que nunca.»

A equipa está preparada para diferentes cenários, mudanças de temperatura, viagens longas?

«É uma questão de nos adaptarmos, não podemos estar preparados para todas as situações, não podemos prever quando é que vamos ter uma tempestade e termos de parar o treino, mas se já viermos preparados, com o nosso talento e o nosso trabalho para tentar vencer um jogo em qualquer circunstância, acho que isso te vai ajudar. No Mundial do Qatar, os jogadores estivaram sempre no mesmo ambiente, o torneio todo, mas este torneio vai ser disputado em três países, com diferenças horárias, com diferenças climáticas, com relvados diferentes. Temos de mudar a mentalidade e estar preparados para o que poder correr mal».

João Pinheiro está na lista de pré-selecionados para o Mundial. É importante para Portugal também estar representado por um árbitro?

«Acho que precisamos de exemplos. É muito importante o trabalho do João Pinheiro, é essencial para os árbitros novos e para criar uma ideia clara do árbitro português dentro da Europa e num Mundial. É um aspeto de mérito, como os jogadores que chegam à Seleção Nacional, os nossos árbitros podem chegar ao nível mais alto. É importante, é um exemplo e acho que seria merecido estar nessa lista, espero que tenha um final feliz».