* enviado-especial ao Brasil

A notícia foi desmentida pelo selecionador Kwesi Appiah e também por Christian Atsu, antigo jogador do FC Porto que marcou presença na conferência. Mas o tema não mudou. Vira o disco e toca o mesmo.

Appiah começou por admitir que houve, de facto, «algumas questões em relação a alguns pagamentos», mas que, com a intervenção do governo ganês e da Federação, tudo seria resolvido. «Em duas, três horas a questão ficará resolvida», garantiu.

Assunto encerrado? Nada disso. Era só o início. Lá veio outra pergunta e Appiah respondeu simpaticamente: «Os jogadores deveriam ter recebido antes. É uma situação que deveria estar resolvida há bastante tempo. Infelizmente, não aconteceu. Os jogadores pediram, o governo interveio e tudo vai resolver-se, rapidamente».

Depois, uma questão direta: os jogadores já foram pagos? «O dinheiro deve chegar em uma ou duas horas», reiterou o técnico.

O problema é que quando se fala numa mala de dinheiro para os jogadores ganeses, esta não é uma metáfora: é uma expressão literal. Os jogadores vão mesmo receber cerca de três milhões de dólares (a dividir por todos) em dinheiro. Appiah não quis confirmar o valor, mas admitiu que será pago em dinheiro vivo, porque é o normal no Gana.

«É essa a prática há vários anos no Gana. Alguns jogadores nem conta bancária no país têm. Por isso não dava para fazer esse depósito em África e fazer a transferência. É um sistema diferente. Não digo que é a melhor forma, mas vimos de um lugar diferente geograficamente e precisam entender como funciona», comentou Appiah.

A questão que se coloca: onde guardar o dinheiro?

Percebido o esquema, o assunto não encerrou. Afinal, onde vão os ganeses guardar tanto dinheiro? Christian Atsu não evitou rir com a questão. «Nos sacos. Nós arranjamos», atirou, entre risos.

Appiah também ria ao lado. E o tema não mudava. Não é a primeira vez que algo do género acontece com uma seleção africana. Alguma explicação.

O técnico tentou dar: «A FIFA não paga os custos antes de os jogadores chegarem ao Mundial. A Federação assume e depois é reembolsada. Os países têm de encontrar o dinheiro, portanto. Quando há algum atraso surge um problema. É por isso que têm acontecido estas questões em África.»

«Parar Ronaldo só com tática»

No meio de tudo isto falou-se de futebol. Mas não muito. Kwesi Appiah elogiou a seleção portuguesa, dizendo que é mais do que apenas Cristiano Ronaldo. «Todos são excelentes. Para parar Ronaldo só com tática, mas não nos vamos centrar apenas num jogador», assegurou.

A necessidade de Portugal marcar muitos golos não altera uma vírgula no esquema ganês para o jogo. «Esse défice de golos não faz de Portugal uma equipa fácil», disse o técnico.

Perto do final, Appiah admitiu que não dorme há dois dias por causa desta questão, mas que não deu mais para aguentar. «Não poderia estar sempre a dizer: calma que o dinheiro vem. Nenhum treinador quer uma situação destas. Estou a tentar lidar com ela», completou.

Provavelmente com os bolsos mais recheados, os ganeses entrarão amanhã em campo frente a Portugal, na mesma com sensação de amor à pátria. «Há estas questões menores, mas os jogadores querem muito representar o seu país», referiu.