* enviado-especial ao Brasil

Discreto, monocórdico, Alejandro Sabella é tudo menos uma figura empolgante nos contactos com os media. O que não o impede de poder tornar-se no terceiro treinador argentino a conquistar o título mundial, depois de César Menotti, em 1978, e Carlos Bilardo, em 1986. Na sala de imprensa do Maracanã, Sabella não tinha preparado nenhuma tirada empolgante e limitou-se a ser igual a si próprio. Aliás, admitiu, também não vai prepatat com especial cuidado a palestra com os seus jogadores: «Tenho algumas ideias, mas este é daqueles jogs que quase não precisam de palavras de motivação. Mas há sempre coisas para se encontrar, para que esse sentimento de partilha entre um pouco mais na cabeça de cada um», limitou-se a dizer.

A parte mais interessante da conversa deu-se quando um jornalista brasileiro lhe pediu para fazer um paralelo entre a sua seleção e a de 1986, no sentido em que as duas têm um coletivo sólido e aplicado, enquadrando um enorme talento desequilibrador, Maradona antes, Messi agora. Sabella aceitou o desafio e a comparação: «Na última vez em que fomos campeões do Mundo eu também estava no Brasil. Estava a jogar no Grémio, e vi a final durante a pré-temporada. Reconheço que há um certo grau de paralelismo entre as duas equipas, se nos centrarmos nas características que referiu. Espero, pelo menos, que o desfecho seja idêntico», disse.

Sabella fez o diagnóstico sobre as mudanças táticas que efetuou na equipa ao longo da prova, mas, como tem sido regra neste Mundial, destacou em primeiro lugar o papel dos jogadores: «O grande mérito é deles, fizeram um enorme esforço para chegarmos até aqui. Temos uma equipa que ocupa mais os espaços laterais. Antes jogávamos com três volantes, mas agora temos quatro, dois deles mais ofensivos. E isso deu-nos mais equilíbrios», resumiu.

Quanto à Alemanha, o selecionador argentino afirmou que a sua equipa estava obrigada a fazer «um grande jogo» para discutir a final: «A Alemanha sempre foi grande, historicamente é a seleção que chega a mais decisões, e ao físico e caráter junta um esquema muito bem montado, que tira partido das diagonais, dos passes entre linhas e das entradas dos laterais, especialmente Lahm. Precisamos de grande concentração, de ocupar os espaços rapidamente e não podemos arriscar em zonas onde isso custa caro», enumerou.

Sabella recusou-se a responder se vai continuar no comando da seleção, garantindo que não discutiu o futuro com ninguém e considerando esse um «tema irrelevante», face à importância do jogo. E terminou com uma mensagem dirigida aos adeptos: «Vamos dar tudo, como sempre, através da humildade e do sacrifício. Somos uma equipa de dar, antes de receber, de perdoar antes de exigir, e chegamos aqui, satisfeitos com tudo o que melhoramos desde o início e com a alegria que damos às pessoas. Mais do que isso não podemos prometer: só dar tudo pelo companheiro, pela camisola argentina e pelo futebol», concluiu, no único momento em que pôs a sonolência de lado e pareceu vagamente empolgado por estar a 24 horas do jogo mais importante da sua vida.