Falar de ressurreição, apesar do tempo de Páscoa que vivemos, poderá ser exagero. Convenhamos: este Nacional nunca esteve verdadeiramente morto. Mas passou, isso é certo, por um longo calvário; leia-se, oito jogos consecutivo sem ganhar.
(Que, em abono da verdade, não espelham a qualidade que a equipa de Tiago Margarido demonstra desde o início do campeonato).
Seja como for, a Páscoa vai ser um tempo muito mais feliz na Choupana do que foram as últimas duras semanas, em que esses três pontos sempre teimaram em aparecer. Não é uma ressurreição, mas é um alívio.
O Nacional ganhou hoje ao Estrela da Amadora por 2-0, num jogo em que beneficiou de uma grande entrada em jogo.
Ainda o relógio marcava apenas dois minutos quando Chuchu Ramirez conquistou um livre à entrada da área. Bem a seu jeito, o internacional venezuelano pegou na bola, respirou, correu e chutou sem hipóteses para o guarda-redes do Estrela da Amadora.
A equipa visitante sentiu o golpe tão inicial – não contaria, certamente, ver-se a perder logo no início, ainda por mais embalada pela goleada na última jornada frente ao Casa Pia (4-0).
A par e passo, os comandados de João Nuno lá se foram ligando ao jogo. A partir dos 20 minutos, conseguiram equilibrar a contenda – sem nunca levarem, todavia, real perigo à baliza de um tranquilo Kaique. A ligação entre setores era um problema para o Estrela; o Nacional, sem o ímpeto inicial, ia controlando.
Até que chegámos a uma segunda parte em que a equipa da Amadora apresentou um futebol que ainda não tinha mostrado. O Estrela foi melhor, acercou-se da baliza e o Nacional foi baixando as linhas.
Depois de ameaças de Rodrigo Pinho, a melhor chance surgiu ao minuto 58 quando Jovane Cabral rematou ao poste da baliza do Nacional.
Foi, nesse momento de maior crença estrelista, que surgiu Paulinho Boia… que até estava algo apagado.
Aos 71m, o brasileiro fez uma receção extraordinária após um balão vindo da defesa, tirou um adversário da frente e, só com Renan pela frente, rematou sem hipóteses.
Pairou a ideia de que o jogo estaria decidido – e estava mesmo. Oito penosos jogos depois, o Nacional voltou às vitórias e coloca pressão sobre o Casa Pia e Tondela na luta pela manutenção.
Acabou o calvário.
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A FIGURA: Chuchu Ramirez
Mais um jogo do Nacional, mais uma partida em que Chuchu Ramirez mostrou o porquê de ser o melhor jogador dos madeirenses. Foi dele o golo que deu início à vitória da equipa de Tiago Margarido, num livre batido de forma irrepreensível. Marcou o 14º golo do campeonato e ultrapassou Samu, Pote e Ricardo Horta na lista de melhores marcadores.
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O MOMENTO: Paulinho Boia desfaz as dúvidas (71m)
O Estrela estava a fazer uma melhor segunda parte, tentava espreitar o empate, mas o golo de Paulinho Boia, ao minuto 71, tirou todas as dúvidas. A tarde seria de vitória para o Nacional.
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POSITIVO: Jovane Cabral
A melhor segunda parte do Estrela da Amadora deveu-se à entrada de Jovane Cabral em campo. O extremo formado no Sporting levou velocidade e criatividade ao ataque da equipa de João Nuno. Teve o empate nos pés, mas o remate, ao minuto 58, esbarrou no poste.