O treinador começou por frisar que não quer ser tratado por «doutor José Mourinho» porque é «o mesmo que começou a carreira há dez anos» e não encontra um ponto na sua carreira em que passou a ser um técnico de elite porque antes de começar já se considerava «um grande treinador». Mas apesar dos muitos títulos conquistados num curto espaço de tempo lembrou que se há alguém que não pode descansar sobre os louros é ele.

«Há muitos treinadores com talento, mas são os resultados que fazem a diferença e a constância dos resultados que fazem com que um treinador seja considerado de elite. Tenho consciência que por não ser uma pessoa politicamente correcta, tenho de continuar a ganhar, estou convicto disso. Para ganhar uma vez basta estar uma vez no sítio certo, mas ganhar dez, doze ou treze, já é mais difícil. Tenho a noção que não sou uma pessoa que consiga angariar grandes simpatias e proteccionismos, por isso tenho de continuar a ganhar», defendeu o técnico português, durante a conferência de imprensa desta segunda-feira na Faculdade de Motricidade Humana.

Os elogios, sobretudo os de Maradona, que considerou José Mourinho o melhor na área, confortam o técnico português. «Não gosto de ser considerado o melhor, contento-me em ser considerado o melhor. O Maradona, que é um exemplo vivo do que é o talento e a arte, viu-me trabalhar e ter-me qualificado como o melhor foi uma satisfação grande», reconheceu.

Agraciado pela universidade com o título Honoris Causa, o treinador recusou, contudo, a defesa de que só os mais instruídos têm capacidade de chegar ao topo. «Apesar de ser um rosto visível com base na formação académica, não quero ser um dos principais rostos de que a nossa via é a única que o pode permitir. Respeito profundamente aqueles que o fizeram pela sua prática e que nunca tiveram a possibilidade de ter um percurso académico como o nosso.»