Numa tarde irreconhecível da Naval, os vila-condenses saíram da Figueira com três pontos mais do que preciosos, a cereja no topo do bolo de uma jornada em que viram Trofense e Belenenses perder, podendo assim voltar a respirar acima da linha de água. Foi a primeira vitória fora do Rio Ave esta temporada e, também, a primeira no terreno da Naval em jogos para a Liga principal, num estádio do qual, curiosamente, Carlos Brito não tinha boas recordações. Em 90 minutos, tudo mudou.

O resultado ao intervalo (0-1) só pecava por escasso. A forma como o Rio Ave assumiu o jogo desde o princípio, empurrando os donos da casa para trás e explorando algumas das suas fragilidades, mormente do lado esquerdo da defesa, mostrou uma equipa determinada a lutar contra o seu destino.

A história da primeira parte resume-se, praticamente, à presença de uma única equipa em campo, que tentou desde cedo chegar ao golo, com muita velocidade e lucidez. O remate certeiro de Yazalde, depois de rodar sobre Diego Ângelo, veio trazer justiça ao resultado perante uma Naval quem nem depois de estar em desvantagem conseguiu mostrar algo de positivo. Se, na semana passada, após a vitória sobre o Leixões, Ulisses Morais falava da pior exibição em casa dos figueirenses, o que dizer do jogo deste domingo?

Vira o vento, toca o mesmo

Com a mudança de campo, passou a ser a Naval a beneficiar do vento pelas costas e a diferença fez-se notar. O problema esteve no aproveitamento. Os figueirenses beneficiaram de uma série de livres, também tentaram atirar de longe, mas o alvo, afinal, estava sempre um pouco mais ao lado.

A equipa de Ulisses Morais, que queria fazer deste jogo a festa da manutenção, pressionou, pressionou, embora sem o nexo que se lhe pedia e, perante a inevitabilidade da perda dos três pontos, adiou para as próximas semanas a concretização do grande objectivo da época.