A vitória de Portugal sobre a Bósnia explica-se, sobretudo, pela forma séria como a equipa das quinas encarou o jogo. Não facilitar, como tinha acontecido em jogos anteriores, foi meio caminho andado para um triunfo que é mínimo, mas que deixa no ar um pouco mais de cheirinho a África do Sul, como diria Carlos Queiroz.
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O seleccionador insistiu ao longo da semana numa mensagem que passou para os jogadores. O pronome «nós», tantas vezes ouvido no estágio, foi sentido dentro das quatro linhas. A Selecção Nacional foi coesa e rigorosa, ao longo de noventa minutos, e por isso venceu. O apuramento ainda não está garantido, é certo. Fica até a ideia que a Bósnia tem mais cartas na manga, mas com postura idêntica em Zenica só há espaço para optimismo na equipa lusa.
O perigo nasceu nos flancos
Ao longo da semana foram vários os avisos, mas se alguém acreditava ainda em facilidades a Bósnia fez questão de justificar cedo o máximo respeito. A equipa de Miroslav Blazevic não ficou à espera que Portugal entrasse a todo o gás. Procurou o ataque e mostrou que havia liberdade para rematar assim que surgisse oportunidade. Não quer isto dizer, porém, que Portugal tenha entrado mal no jogo. Pelo contrário. A postura bósnia só valoriza a atitude da formação lusa, que desde o primeiro momento encarou o jogo com a máxima seriedade.
Com o meio-campo povoado, ambas as formações tentaram desequilibrar pelos flancos. Simão e Nani deram irreverência ao jogo e combinaram bem com Liedson. O jogador do Manchester United fugiu várias vezes pelo flanco direito, e numa dessas incursões cruzou para o golo inaugural, apontado por Bruno Alves (31m).
No lado da Bósnia também se destacavam os flanqueadores. Ibricic e Salihovic procuraram sobretudo servir Dzeko e Ibisevic, mas também criaram problemas a Eduardo. Salihovic obrigou o guarda-redes luso a uma defesa apertada, enquanto que Ibricic criou perigo com duas cabeçadas. Primeiro atirou por cima (10m), depois acertou no ferro (44m).
Um estreante entre cautelas e um momento de pura sorte
O jogo chegou ao intervalo com vantagem mínima para a equipa lusa, e aí está a explicação para uma segunda parte menos atractiva. Portugal nunca deixou de procurar o golo, mas mostrou mais cautelas, como é natural, de forma a não perder a vantagem. A Bósnia, por seu lado, mostrou-se algo satisfeita com uma desvantagem magra que deixava em aberto a possibilidade de inverter o apuramento na segunda mão.
Liedson ainda esteve perto de aumentar a vantagem (58m), mas o grande trabalho que fez ao tirar o defesa do caminho foi atirado para a bancada. Do outro lado também houve perigo, com Dzeko a rematar à malha lateral (77m). Entre uma coisa e outra houve tempo para a estreia de Fábio Coentrão.
Nos instantes finais a Bósnia arriscou um pouco, à procura de um empate que só não apareceu por mera felicidade lusa. O crómometro marcava já o minuto 90 quando a baliza de Eduardo tremeu duas vezes. Primeiro foi Dzeko a acertar na barra, e depois Muslimovic a rematar ao poste.