A 21 dias do jogo com a Costa do Marfim há uma certeza: Portugal tem de melhorar. Só pode melhorar. O empate com Cabo Verde não é um sinal de alarme, mas deve servir de alerta. Não há volta a dar. A Selecção Nacional defrontou o 117º classificado do ranking FIFA e não venceu. Perante isto, interessa retirar ilações e perceber o que falhou neste primeiro teste.

FICHA DE JOGO

Ponto prévio: a única semelhança entre estes cabo-verdianos e os jogadores da Costa do Marfim começa e acaba nos genes africanos. Na qualidade técnica, física e táctica não há qualquer elo a ligar os dois conjuntos. Em boa verdade, o adversário no Mundial que mais se assemelhará a Cabo Verde é a Coreia do Norte.

Vídeo: resumo do Portugal-Cabo Verde

Portugal encontrou uma equipa a defender com 11 homens, disciplinada, unida e forte a sair para o contra-ataque, ainda que extremamente ingénua. Este é o retrato, a papel químico, dos norte-coreanos. A Costa do Marfim, insistimos, não é chamada para esta história.

O filme deste jogo é, aliás, primário. A Selecção Nacional teve muita bola, exagerou nos passes lateralizados e à retaguarda, limitou-se ao óbvio, sem criar desequilíbrios suficientes para atormentar a defesa africana.

Melhorou na segunda parte, atrelada na subida da predisposição de Cristiano Ronaldo, embora sem alcançar um nível acima do razoável. Os trabalhos estão a começar, é certo, mas não derrotar um conjunto com as fragilidades de Cabo Verde exorta fantasmas antigos.

Aplausos para Coentrão e Nani

Foi tudo mau? Claro que não. A dinâmica demonstrada pelo flanco esquerdo por exemplo, deixou água na boca. Fábio Coentrão e Nani entenderam-se às mil maravilhas. O primeiro marcou pontos muito importantes na candidatura à titularidade. Cheio de fulgor, confiante, cavalgou vezes sem conta pelo seu flanco, aproveitando também a debilidade ofensiva dos africanos.

Queiroz: «Nestes jogos ninguém vai entrar a matar»

Não foram os únicos a merecer uma menção honrosa, porém. Pedro Mendes confirmou a qualidade que se lhe reconhece, sempre com simplicidade e altruísmo. Arriscou três remates de longe e tentou levar a equipa para a frente.

Cristiano Ronaldo apareceu na última meia-hora a jogar bem. Depois de muitas más decisões, algumas incompreensíveis, fez o que se sabe. Rematou, driblou, correu e esteve nos três lances de maior perigo para a baliza do afortunado Fock.

C. Ronaldo: «Tenho a certeza que vamos fazer um grande Mundial»

O país quer mais, exige mais, e os jogadores têm de percebê-lo. A próxima etapa dos trabalhos da equipa é absolutamente fundamental. Este 4x3x3 tem de ser mais flexível, ardiloso, ditador nos últimos capítulos das transições ofensivas.

Impossível não lembrar José Bosingwa

É impossível concluir esta crónica sem lamentar a ausência de José Bosingwa. Não está em causa a competente serenidade de Paulo Ferreira ou a disponibilidade sedimentada de Miguel. Mas nenhum dos dois oferece aquilo que podia oferecer o lateral do Chelsea: intensidade contínua ao flanco direito.

Essa foi uma das lacunas, que não a única, da equipa esta noite. As outras? Passividade e parcimónia na primeira parte, ritmo baixo nos movimentos de fractura e precipitação no remate, principalmente a partir do momento em que o empate solidificou raízes.

Matéria-prima há, Portugal tem tudo para fazer um bom Mundial, mas deve lembrar-se que a indigência não ajuda nad