Vai seguro e formoso o Sp. Braga. Despretensioso, autoritário, capaz de sitiar por completo um Leiria que até vem fazendo um bom campeonato. Impressionante, de facto, a demonstração de superioridade do líder. Um líder cada vez mais confortável na condição de claro candidato à conquista do título.
Universos paralelos, vidas opostas. O Sp. Braga ascendeu à condição de «grande». Pelo menos no que concerne ao item referente à qualidade de jogo. A primeira parte dos minhotos, principalmente esse período, devia ser emoldurada e entregue a todo aquele que aspira vir a ser um grande treinador.
É certo que o golo de Paulo César, logo no início, surge abençoado pela fortuna. Mas o que vimos depois é tudo menos sorte. É, acima de tudo, uma capacidade colectiva imponente e rara de se ver nos tempos que correm. Tanto nos momentos defensivos, como na hora de assumir o ataque.
O pecado da misericórdia
Quem gosta de futebol não pode ficar indiferente à forma como gere e guarda a posse de bola este Sp. Braga. Mesmo sem Hugo Viana (engripado) e com Andrés Madrid a um ritmo inferior dos colegas, a equipa foi desconcertante na gestão da sua ambição. Sempre serena, por vezes até diletante, o conjunto de Domingos Paciência encontrou o equilíbrio absoluto.
Sossegado pelo golo madrugador, o Braga descomprimiu e foi praticamente perfeito até ao intervalo. Faltou mais um golo, para dissipar toda e qualquer dúvida um pouco mais cedo. O guarda-redes Djuricic, culpado no golo de Paulo César, redimiu-se com quatro monumentais defesas e manteve a interrogação sobre o resultado final até aos 69 minutos.
Esse foi o único pecado do Sp. Braga. Percebeu cedo que a diferença para o opositor era tão grande, que em determinados momentos foi misericordioso. Abrandou o ritmo na segunda parte, deu uma ou duas veleidades ao Leiria e depois lá decidiu acabar com a brincadeira, quase como o felino que dá o golpe final à presa moribunda.
19 jornadas para cumprir um sonho
Não há, de resto, muito mais a dizer. Talvez sublinhar, em tom bem carregado, que este Sp. Braga nada fica a dever a Benfica e F.C.Porto, naquilo que é a execução do plano de jogo. E só não incluímos nesta comparação o Sporting porque os leões têm percorrido outras zonas da tabela, bem mais sombrias.
Onze jornadas percorridas, o Sp. Braga é líder. E se nos permitem a ousadia, a manter aquilo que mostrou esta noite, pode sonhar ir até ao fim no topo ou, pelo menos, andar lá por perto.