A liderança pesou nas camisolas do Nacional? Talvez não. Mas o Estrela da Amadora chegou à Choupana com a lição bem estudada, a eficácia no engenho de Vidigal, que regressou ao campeonato português com dois golos marcados, e ganhou ao líder e favorito à vitória por 2-1. A equipa da casa foi demasiado infeliz, como prova a grande penalidade falhada por Alonso e de pouco valeu o golo de Nené já em período de descontos. O Nacional, ainda assim, mantém-se na liderança, mas com um sabor bem amargo.
Os pupilos de Machado só conseguiram furar a bem organizada defesa do E. Amadora depois dos 90 minutos e até falharam uma grande penalidade. Os visitantes remataram pouco, mas foram mais eficazes e souberam sofrer.
Lito Vidigal colocou o seu irmão Luís na equipa inicial e apostou em Varela como homem mais avançado. E a aposta não podia ter-se revelado mais acertada, com Vidigal a bisar no regresso ao futebol português, após assistências de Celsinho e Varela.
Desde cedo que os locais quiseram resolver a contenda e foi Luís Alberto o primeiro a tentar alvejar a baliza de Nelson, logo aos 4 minutos, num remate que levou, apenas, força. O conjunto da Amadora defendia bem e saía em contra-ataque quando podia. Aos 13 minutos, Vidigal lançou Varela no ataque, mas Bracalli travou o remate do ex-leão com os pés, que ainda teve tempo para novo pontapé na recarga.
Dado o aviso, o Estrela chegaria mesmo ao golo aos 21 minutos. Após um livre de Celsinho, Vidigal surgiu sozinho a desviar de cabeça, batendo sem hipótese Bracalli. Balde de água fria na Choupana.
Machado mexe na equipa
A perder, o treinador do Nacional teve de mexer na equipa. Retirou Edson e fez entrar Juninho, alterando também a estratégia. Aos 40 minutos, esteve perto o empate, após um cruzamento de Alonso na esquerda, que Luís Alberto soube cabecear e Nelson defender ainda melhor. Em cima do intervalo, Alonso, na cobrança de um livre, quase enganou Nelson, traído pelo desvio da bola na barreira.
Na segunda parte, Manuel Machado lançou Miguel Fidalgo na direita do ataque, tirando o apagado Rafael Bastos. Nem um minuto em campo e já este jogador rematava cruzado e com muito perigo à baliza do Estrela. Apesar das alterações, continuava a ser difícil derrubar a fortificação do Estrela. Nelson brilhava na baliza e aos 60 minutos negou o golo a Mateus, em mais uma boa defesa após mau corte de Mustafá. Os alvinegros não acertavam com a baliza e começavam a acusar alguma inquietação.
Como quem não marca arrisca-se a sofrer, os visitantes, numa lição de eficácia, aumentaram a vantagem para 2-0 aos 70 minutos, num contra ataque de Varela, que assistiu Vidigal e este, mais uma vez, a não desperdiçar a oportunidade.
Alonso falha penalty
Complicavam-se a cada minuto as contas do Nacional e o desassossego era tanto que até uma grande penalidade marcada por Alonso foi defendida por Nelson, a oito minutos do fim. Mustafá cortou com a mão um cruzamento de Mateus e Carlos Xistra não perdoou a falta do central do Estrela.
Já em tempo de descontos, Nené apontou o golo de honra, dando o melhor seguimento a um cruzamento de Patacas. O E. Amadora fechou-se em copas e conseguiu segurar a vantagem, obtendo uma vitória que se considera justa pela eficácia demonstrada.
Curioso, também, o facto de terem sido três ex-leões e um ainda em regime de cedência a decidirem a vitória do Estrela frente ao Nacional, que lidera a tabela em igualdade pontual com o Sporting: Celsinho (emprestado), Varela, Nelson e Vidigal.