Mario Balotelli já é um dos protagonistas do Campeonato da Europa e no próximo domingo pode escrever o final mais feliz de uma história fantástica de um «miúdo» que foi abandonado pelos pais à nascença e que tem demorado a crescer.

Uma história que começa a 12 de agosto de 1990, na Sicília, onde nasceu o pequeno Barwuah, em Palermo, no bairro de Borgo Nuovo, filho de Thomas e Rose Barwuah, dois emigrantes do Gana. Os pais foram à procura de melhor sorte na cidade de Bagnolo Mella, na província de Brescia, e abandonaram o recém-nascido no hospital onde cresceu rodeado de médicos e enfermeiros até aos dois anos. Em 1993, o tribunal de menores entregou-o para adoção e passou a viver com a família Balotelli de Concesio, na província de Brecia e, já com o nome de Mário, foi criado juntamente com os outros três filhos do casal. Os irmãos mais velhos, Giovanni e Corrado, tiveram forte influência na entrada do pequeno Mário no mundo do futebol e acabaram por tornar-se procuradores do promissor delfim da família.

Balotelli: «Sou mais homem do que o Peter Pan»

Começou a dar os primeiros pontapés no Lumezzane, da Série C, e chegou à equipa principal com apenas quinze anos. Em 2007 assinou com o Inter e estreou-se na equipa principal com 17 anos, substituindo David Suazo na vitória sobre o Cagliari. A jogar ao lado de Luís Figo, saltou para as primeiras páginas dos jornais quando marcou dois golos na Taça de Itália na vitória sobre a Reggina (4-1). Com mais dois golos frente à Juventus (3-2), na mesma competição, passou definitivamente a figura pública, conquistando a confiança de Roberto Mancini. Em 2008, passou a jogar ao lado de Ibrahimovic, marcou o primeiro golo na Série A, conquistou o «scudetto» e foi decisivo na conquista da Supertaça, frente à Roma, num jogo em que rendeu Figo.

Na segunda temporada, tornou-se no jogador mais jovem de sempre do clube a marcar um golo na Champions, mas, com a chegada de José Mourinho, perdeu espaço na equipa depois de uma série de desentendimentos com o mediático treinador português. «Não posso consentir que um rapaz como ele se esforce menos nos treinos do que jogadores como Figo, Córdoba ou Zanetti», explicou Mourinho que chegou a afastá-lo do plantel. Balotelli ainda teve esperanças de voltar à ribalta com a saída de Ibra para o Barça, mas a chegada de Etoo manteve-lhe os caminhos tapados.

Mais uma série de casos tornam a continuidade de Balotelli no Inter insustentável e no verão de 2010 acaba por ser vendido ao City por quase 30 milhões de euros. Mancini esperava reencontrar um jovem mais maduro, mas os problemas multiplicaram-se, com casos quase semanais a saltarem para as primeiras páginas da ávida imprensa inglesa.

Cidadania italiana só aos 18 anos

Não foi fácil para Balotelli chegar à «squadra azzurra». Até aos 17 anos foi considerado emigrante do Gana e nunca pode ser chamado para as seleções de sub-15 e sub-17. Chegou a ser convocado pela seleção do Gana, mas recusou, dizendo que nasceu em Itália e se sentia italiano. Quando completou dezoito anos recebeu, finalmente, a cidadania italiana, numa cerimónia na câmara de Concesio. Chegou a jogar nos sub-21 e, a 10 de agosto de 2010, antes de completar 20 anos, estreou-se pela equipa principal, no primeiro jogo de Cesare Prandelli, o atual comandante da «squadra azzurra», com uma derrota diante da Costa do Marfim (0-1).

Em 2011 marcou o seu primeiro golo pela seleção, na vitória sobre a Polónia (2-0), tornado-se no primeiro jogador negro a marcar pela «azzurra». Na fase final do Euro-2012 tornou-se protagonista inesperado com três golos em cinco jogos, dois dois quais na decisiva meia-final com a Alemanha (2-1). No final do jogo foi comemorar com Silvia, a mãe adotiva do «génio» italiano.