Chegou à Luz em 1997, já com cartel. Tinha sido campeão da Europa de sub-18, terceiro no Mundial sub-20 em 1995. Em 1997, o seu Boavista tinha ganho a Taça ao Benfica, ele até tinha marcado. Já crescia no Bessa, na época de 1996/97 tinha feito todos os jogos do campeonato pelo Boavista.

Manuel José levou-o para o Benfica e Nuno Gomes evoluiu mais. Marcou 22 golos na primeira época, foi o melhor marcador da equipa. A temporada seguinte foi a mais concretizadora: 34 golos (24 na Liga, 7 nas competições europeias e três na Taça). Não foi melhor marcador da Liga, nunca foi. Aí, a carreira de Nuno Gomes foi ofuscada por um fenómeno chamado Jardel.

Foram ao todo 166 golos com a camisola do Benfica, 125 dos quais na Liga. Marcou 24 nas competições europeias, é o quarto melhor marcador da história do clube na Europa, atrás de Eusébio, Nené e Zé Augusto. Tem ainda 15 golos na Taça de Portugal, 2 na Taça da Liga e 1 na Supertaça. Ficou a um jogo de Francisco Ferreira, que com 399 partidas é o 10º jogador com mais jogos pelo Benfica. É o nono melhor marcador de sempre dos «encarnados»: o oitavo, José Augusto, tem 175.

Depois de três épocas na Luz, e a seguir a um fantástico Euro 2000, apareceu a hipótese de uma grande transferência. Foi para a Fiorentina, onde ainda estava Rui Costa, numa saída negociada noite dentro naquele Verão e que terá rendido ao Benfica quatro milhões de contos da altura, qualquer coisa como 20 milhões de euros.

Voltou ao fim de duas épocas em Itália, saindo no meio de um penoso processo de dissolução do histórico clube italiano. Não voltou a deixar a Luz, ganhou a braçadeira de capitão e somou nesta segundo período os primeiros títulos com a camisola encarnada: a Taça de Portugal em 2003/04, o título de campeão nacional em 2004/05. Mais o campeonato de 2009/10, três Taças da Liga e uma Supertaça.

A última época foi impressionante de eficácia. Nuno Gomes foi utilizado por Jorge Jesus em seis jogos na Liga, jogou sessenta minutos e marcou quatro golos, o último dos quais um «bis» ao P. Ferreira. Foi a última partida antes de se lesionar, tendo regressado apenas para o último jogo do campeonato.

Não se despediu em campo, porque a sua situação foi arrastada até hoje, apesar de estar já em final de contrato. Agora sim, é o adeus à Luz. Mas não ao futebol, Nuno Gomes promete continuar. Por isso esta história centra-se apenas no que fez no Benfica o jogador que é Gomes de alcunha, porque era fã do Bibota de Ouro, e que é o quarto melhor marcador de sempre da Selecção Nacional.

Veja alguns momentos de Nuno Gomes no Benfica