Livro: Wooden: A Coach´s Life
Autor: Seth Davis

Era «um velho adorável, que gostava de ler poesia na sala». E, entretanto, ganhou dez campeonatos universitários de basquetebol em 12 anos, tem recordes desde os anos 70 na modalidade, ganhou a alcunha de «Feiticeiro de Westwood» e tocou o pensamento de quem lhe foi contemporâneo.

John Wooden não foi um homem perfeito. Embora também não tenha sido um homem qualquer.

Para quem já ouviu falar nele, a primeira visão que se tem é aquela, descrita por Seth Davis, autor da mais recente biografia que aqui se sugere, sobre um dos maiores treinadores da história dos EUA. Para alguns, o que fez na UCLA, Universidade da California, situada em Westwood, faz dele o maior de todos os tempos. 

Outros houve que o apelidaram de «Saint John», numa ironia, apontado-lhe a hipocrisia no caráter.

«Pensamos nele como um velho adorável que gostava de ler poesia na sala. Mas a verdade é que não se ganham dez campeonatos da NCAA por ser-se adorável. Perguntem a quem o conheceu ou a quem jogou para ele. Wooden era um homem duro. Muito, muito duro.»

Seth Davis completa a frase inicial e desvenda um pouco mais da personalidade de um indivíduo único, um homem que inspirou outros e cujo legado ecoou nas jogadas de Kareem Abdul-Jabbar e Bill Walton, por exemplo, mas também nas mentes de muitos que o ouviram em palestras ou que seguiram a sua «Pirâmide do Sucesso».

Deixemos aqui o principal ponto de partida para este livro. John Wooden foi um dos melhores treinadores de basquetebol de sempre. John Wooden foi também um dos melhores jogadores da modalidade. Se tivesse sido apenas o professor de secundário no estado de Indiana, Seth Davis não teria matéria, nem a UCLA se tornaria numa potência de basquetebol.

Foi como jogador que primeiro entrou no Hall of Fame da modalidade. E, já agora, isso aconteceu na segunda vez que alguém entrou para o Hall of Fame. Depois, foi o primeiro a ser distinguido no «Mural da Fama do Basquetebol» como jogador e treinador. É um de três em toda a história.

Como se pode ver por aqui, o livro deste cronista da Sports Illustrated é de um Inglês relativamente fácil e que nos leva para o mundo de quem tem um recorde de 10 títulos no basquetebol universitário em 12 anos, uma incrível marca de 88 jogos consecutivos sem perder e quatro temporadas universitárias sem qualquer derrota.

Um treinador sem rival a nível de basquetebol universitário, e que, em 1975, explicou assim aos jogadores a decisão de de abandonar o cargo, quando jogava mais uma Final Four, a última que venceu: «Não quero sair. Mas tenho de sair.»

Agastado pela pressão, Wooden saiu mesmo, e passou a percorrer a América a explicar a executivos a sua pirâmide. No topo dela estava a «Grandeza Competitiva».

O que nas palavras dele significa: «Dá o teu melhor sempre que o teu melhor é exigido. E o teu melhor é exigido todos os dias.»

Seth Davis falou várias vezes com o homem antes dele falecer, a meses de celebrar 100 anos. Davis entrevistou quem o conheceu e, apontam as críticas, dá uma visão imparcial sobre uma personalidade que casou com a namorada de liceu, à boa maneira americana, e atravessou o século XX dos States, desde os primórdios do basquetebol, ao serviço na Marinha na II Grande Guerra, até ao novo milénio.

O livro começa com uma citação de Wooden:

«I’ve always said I wish all my really good friends in coaching

would win one national championship. And those I don’t

think highly of, I wish they would win several.»

E assim acabamos nós.

Desconto de tempo é uma nova rubrica do Maisfutebol, de Luís Pedro Ferreira. Junta desporto e cultura, sobretudo o que é novidade. Sugestões? Siga para lpferreira@mediacapital.pt