O ano de 2019 fica marcado por dois acidentes trágicos que levaram dois jogadores cedo demais. Logo a abrir, em janeiro, Emiliano Sala desapareceu sobre o Canal da Mancha, quando viajava de avião a caminho de Cardiff. Mais tarde, em junho, foi a vez de José António Reyes, vítima de um despiste brutal de automóvel que deixou o Sevilha, Real Madrid, Atlético, Arsenal, Espanhol e Benfica de luto.

Mas este ano também foi um ano de despedida de jogadores que deixaram marca forte no futebol nacional, como são os casos de Rui Jordão, a Gazela de Benguela, ou Rogério Pipi, o melhor marcador de todos os tempos em finais da Taça de Portugal.

A nível internacional, também deixamos aqui um último adeus a Gordon Banks, guarda-redes mítico do futebol inglês, bem como a Niki Lauda, o piloto austríaco com duas vidas na Fórmula 1, ou ainda Lennart Johansson, o eterno presidente da UEFA.

Mas houve mais despedidas marcantes em 2019. Venha daí.

Obituário de 2019, por ordem cronológica:

Emiliano Sala, 28 anos: 21 de janeiro

Foi a 21 de janeiro, pelas 20 horas, que o avião que transportava Emiliano Sala desapareceu dos radares. Seguiram-se horas que passaram a dias de angústia, com poucas pistas sobre o paradeiro do avançado argentino de 28 anos que viajava para Cardiff para treinar, pela primeira vez, pelo novo clube, depois de ter sido contratado ao Nantes por 17 milhões de euros. Sala chegou a jogar nos portugueses do Crato, nos Distritais, no início da carreira, e também foi jogador de Sérgio Conceição na temporada de 2016/17, quando o atual treinador do FC Porto treinou o Nantes. O corpo do jogador acabou por ser encontrado a 6 de fevereiro, dezasseis dias depois do acidente, em águas do Canal da Mancha.

Fernando Peres, 77 anos: 10 de fevereiro

Antiga glória do Sporting com dois campeonatos (1965/66 e 1969/70) e uma Taça de Portugal (1970/71) no currículo. Formado no Belenenses, jogou ainda na Académica e no FC Porto. Fez ainda carreira no Brasil, tendo jogado no Vasco da Gama, onde foi campeão em 1974, e no Sport Recife, onde pendurou as botas dois anos depois.

Gordon Banks, 81 anos: 12 fevereiro

O guarda-redes das defesas impossíveis. Fez 73 jogos pela seleção de Inglaterra, foi campeão do Mundo em 1966 e eleito por seis vezes pela FIFA como melhor guarda-redes do ano. Entrou para o domínio das lendas com a «defesa» impossível a um cabeceamento de Pelé no Mundial de 1970 [vídeo abaixo].

Eric Harrison, 81 anos: 13 de fevereiro

Antigo treinador das camadas jovens do Manchester United que foi responsável pela formação de boa parte dos jogadores que viriam a integrar a mítica «class of 92». «Perdemos o nosso mentor, o nosso treinador, o homem que nos fez. Que nos ensinou a jogar, a não desistir, o quão importante é vencer as batalhas individuais e aquilo que precisámos para jogar no Manchester United. Devemos-te tudo Eric», pode ler-se numa mensagem partilhada nas redes sociais e assinada por Gary Neville, Phil Neville, Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt e David Beckham.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

We’ve lost our mentor, our coach and the man who made us. He taught us how to play, how to never give up, how important it was to win your individual battles and what we needed to do to play for Manchester United Football Club. He was always watching and always with us everytime we played, I can still hear him telling me NO MORE HOLLYWOOD PASSES. I can still see him as we played on The Cliff training ground looking down on us either with a proud smile or a loud bang of his fist on the window knowing any minute he would be on his way down to probably advise me in the most polite way to stop playing those passes. More importantly he made us understand how to work hard and respect each other and not just on the pitch. We won’t forget the life lessons he gave us. Eric we love you and owe you everything. ❤ Gary, Phil, Ryan, Paul, Nicky and David.

Uma publicação partilhada por David Beckham (@davidbeckham) a

Frederico Rosa, 61 anos: 17 de fevereiro

Antigo defesa central que fez carreira no Benfica onde chegou a ser capitão na temporada de 1979/80, além de ter conquistado dois títulos de campeão e três Taças de Portugal. Também foi referência do Boavista, onde jogou oito temporadas, e somou dezoito internacionalizações pela Seleção Nacional, tendo integrado os eleitos para a fase final do Mundial de 1986, no México.

António Mendes, 81 anos: 28 de fevereiro

Ficou conhecido como «Pé Canhão» e jogou no Benfica entre 1955 e 1962 período no qual conquistou dois campeonatos (1959/1960 e 1960/1961) e duas Taças de Portugal (1958/1959 e 1960/1961). A partir de 1962 fez mais nove temporadas no V. Guimarães, somando mais de 200 jogos e marcando mais de oitenta golos. Na nota de pesar pelo falecimento, o Vitória fala mesmo de «um dos melhores jogadores» da história do clube. Foi, aliás, o primeiro jogador do Vitória a alcançar o estatuto de internacional.

Vítor Campos, 74 anos: 8 de março

Internacional português na década de sessenta e um histórico da Académica, com 345 jogos entre 1963 e 1976. Formado em Medicina, participou em duas finais de Taça (1967 e 1969) e foi vice-campeão em 1966/67.

Tommy Smith, 74 anos: 12 abril

Histórico capitão do Liverpool dos títulos europeus nos anos setenta que ficou conhecido como «Ferro de Anfield». Fez quase 500 jogos pelos «reds» entre 1962 e 1978.

Quinzinho, 45 anos: 15 de abril

Internacional angolano que jogou no FC Porto de 1995/96 a 1998/99. Em Portugal, representou ainda a União de Leiria, Rio Ave, Farense, Desp. Aves, Alverca e Estoril. Morreu cedo, aos 45 anos, depois de se ter sentido mal durante uma corrida.

Júlio César Toresani, 52 anos: 22 de abril

Antigo defesa do River Plate e do Boca Juniors que ficou conhecido por afrontar Diego Maradona num Boca-Colón em outubro de 1995. «Pensar que quis bater-lhe e agora choro por ele. Depois daquela famosa discussão, ele veio jogar para o Boca e fomos grandes colegas», pode ler-se numa publicação de Maradona nas redes sociais.

Billy McNeil, 79 anos: 23 de abril

Capitão do Celtic aos longo de dezoito temporadas, liderou os «Lisbon Lions» à conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1967, com uma vitória sobre o Inter Milão (2-1) no Estádio Nacional, no Jamor.

Stevie Chalmers, 83 anos: 29 de abril

Outra lenda dos escoceses do Celtic. Uma semana depois da morte do mítico Billy McNeil, foi a vez de Steve Chalmers, o autor do golo da vitória sobre o Inter Milão (2-1) no Jamor.

Camolas, 71 anos: 7 de maio

Foi bicampeão pelo Benfica nos primeiros anos como sénior nas temporadas de 1966/67 e 1967/68.

Niki Lauda, 70 anos: 21 de maio

Uma lenda com duas vidas na Fórmula 1 depois de ter sobrevivido a um grave acidente no Grande Prémio da Alemanha, no circuito de Nurburgring, em 1976, um ano depois do primeiro título pela Ferrari. Sofreu extensas queimaduras que o deixaram desfigurado e que o obrigaram a múltiplas cirurgias. Passou a usar um boné, que passaria a ser a sua imagem de marca, para ocultar as cicatrizes e conquistou mais dois títulos mundiais: com a Ferrari em 1977 e com a McLaren em 1984.

José Antonio Reyes, 35 anos: 1 de junho

Depois de Emiliano Sala, mais um acidente trágico, desta vez com José António Reyes como vítima. O antigo internacional espanhol, que representou o Benfica na temporada de 2008/09, por empréstimo do Atlético Madrid, regressava a casa, na companhia de dois primos, depois de mais um treino, quando o carro, soube-se depois, em excesso de velocidade, saiu da estrada, capotou e incendiou-se. Formado no Sevilha, o internacional espanhol fez ainda carreira, além do Benfica, no Arsenal, Real Madrid, Atlético, Espanhol, Córdoba, Xinjiang Tianshan e Extemadura. No currículo, entre outros títulos, conta com cinco Ligas Europas.

Lennart Johansson, 89 anos: 4 de junho

Antigo dirigente sueco que se destacou como presidente da UEFA de 1990 a 2007.

Robert Waseige, 79 anos: 17 de julho

Ficou conhecido em Portugal depois de uma curta passagem pelo Sporting na temporada de 1996/97. Depois disso ainda foi selecionador da Bélgica e da Argélia.

Camilo Conceição, 67 anos: 17 de julho

Antiga glória da Académica nos anos setenta que também fez uma temporada pelo Sporting.

José Luís Brown, 62 anos: 12 de agosto

Antigo internacional que fez parte da seleção que se sagrou campeã mundial em 1986 no México. No Mundial de Maradona, «El Tata», como era conhecido, foi totalista e abriu o marcador na final frente à Alemanha.

Andrada, 80 anos: 5 de setembro

«El Gato», como era conhecido, entrou para a história do futebol depois de ter sofrido o histórico golo 1000 de Pelé, a 19 de novembro de 1969, além de ter sido campeão do Brasil pelo Vasco da Gama em 1974.

Rui Jordão, 67 anos: 18 outubro

Um dos jogadores mais marcantes das décadas de setenta e oitenta ao serviço do Sporting e do Benfica, mas também da Seleção Nacional. Nascido em Benguela, Angola, começou por dar nas vistas no Benfica, na temporada de 1971/72, mas foi no Sporting onde jogou mais anos e deixou mais saudades. Constituiu uma dupla terrível com o amigo Manuel Fernandes e, mais tarde, também jogou com António Oliveira no ataque dos leões. Foi também figura de proa da Seleção Nacional, somando 43 jogos e quinze golos, dois dos quais na inesquecível meia-final do Europeu de 1984, frente à anfitriã França. Depois de terminar a carreira no V. Setúbal, em 1989, esteve muitos anos sem falar de futebol. Tirou uma licenciatura em Belas Artes e dedicou-se de corpo e alma à pintura.

Raymond Poulidor, 83 anos: 13 de novembro

Ciclista francês que ficou conhecido como o «eterno segundo» do Tour, detentor do recorde de pódios na Volta a França, com três segundos lugares (1964, 1965 e 1974) e cinco terceiros (1962, 1966, 1969, 1972 e 1976), sem nunca ter vestido a camisola amarela. Foi mais feliz em Espanha, onde venceu a Vuelta em 1964.

Rogério Pipi, 97 anos: 8 de dezembro

Antiga glória do Benfica e da Seleção Nacional despediu-se do mundo pouco depois de ter completado 97 anos de uma vida bem preenchida. Rogério Lantres de Carvalho, que ganhou a alcunha de «Pipi», pela forma elegante como se vestia, representou o Benfica entre as épocas de 1942/43 e 1953/54, com um interregno em 1947 para representar os brasileiros do Botafogo. É ainda na atualidade o detentor do recorde de golos em finais da Taça de Portugal, com um total de quinze golos. Em dezembro de 2016, Rogério Pipi recordou ao Maisfutebol uma das finais da Taça de Portugal mais marcantes de todos os tempos, a de 1952, quando o Benfica bateu o Sporting por 5-4, com três golos de Pipi.

 

Martin Peters, 76 anos: 21 dezembro

Um dos campeões do Mundo pela Inglaterra no Mundial de 1966 e figura histórica do West Ham que representou de 1959 a 1970.