Na baliza, o primeiro destaque vai para o facto de a defesa menos batida da Liga, do Benfica, ter responsabilidades repartidas por dois guarda-redes: Artur fez 14 jogos e sofreu 12, Oblak fez 16 e sofreu apenas três - com os outros três a caberem a Paulo Lopes, com a equipa em descompressão nas duas últimas jornadas. Mas se a carreira exemplar do esloveno fez dele uma das figuras na grande temporada do Benfica, o facto de ter alinhado em apenas metade do tempo impede que seja a nossa escolha para guarda-redes da Liga. Esta recai em Rui Patrício que, com uma temporada muito regular, se confirmou como líder da segunda defesa menos batida da Liga, com um registo apreciável de apenas 20 golos sofridos. Na lista de menções honrosas, cabem os «europeus» Vagner (Estoril) e Gottardi (Nacional), Ricardo (Académica), Adriano (Gil Vicente) e Matt Jones (Belenenses), estes últimos decisivos para a permanência das suas equipas.

No eixo do setor defensivo, a dupla de centrais do Benfica parece intocável: em ano de bater recordes, Luisão terá assinado a melhor temporada de todas as que já soma na Luz, enquanto Garay se exibiu ao nível a que nos habituou – isto é, altíssimo. Mas a dupla do Sporting, formada por Maurício e Rojo, também terminou a temporada com rendimento elevado, respondendo de forma muito positiva às dúvidas levantadas no início de época. Há nomes jovens que merecem menções honrosas, casos de Miguel Rodrigues (Nacional) e Paulo Oliveira (V. Guimarães), além da confirmação de valores seguros como Mexer (Nacional) e Yohan Tavares (Estoril).

Já nas laterais, o panorama foi menos rico. À direita, Cédric foi o mais regular nos três grandes, superando o rendimento de Maxi e Danilo, mas talvez sem ser tão influente como Mano, no sensacional Estoril. Pedro Queirós (V. Setúbal) foi um contributo sólido para outra boa surpresa da Liga. À esquerda, sprint cerrado entre Jefferson e Siqueira, com vantagem ligeira para o jogador do Sporting, mais presente (26 jogos contra 18) e mais influente (quatro assistências e dois golos). Em época de estreia na Liga, Djavan confirmou-se como um dos melhores valores para esta posição.

No meio-campo, há três nomes indiscutíveis. Começando de trás para a frente, William Carvalho, óbvia revelação da temporada, foi coração e pulmões do melhor Sporting de há vários anos a esta parte. O mesmo pode ser dito em relação a Enzo Pérez, provavelmente o jogador mais decisivo da época, em especial pela forma como assumiu o controlo do meio-campo encarnado após a saída de Matic. A fechar o triângulo, a grande figura do melhor Estoril de sempre - Evandro jogou, fez jogar, resolveu jogos (11 golos e nove assistências!) e confirmou o que a temporada anterior já sugerira: tem futebol para voos bem mais altos. Outros destaques para o setor passariam obrigatoriamente pela referência à boa época de Adrien, outro dos pilares do Sporting, para a solidez de nomes experientes como Bruno Amaro (Arouca) e Tarantini (Rio Ave) e ainda para a energia dos jovens Danilo (Marítimo) e João Mário (V. Setúbal).

Finalmente, no ataque, Jackson escapa à temporada desastrosa do FC Porto, conseguindo o segundo troféu consecutivo de melhor marcador, à frente de Derley (Marítimo), outra das grandes revelações da época. No trio da frente, é impossível não dar a primazia a Gaitán, o mais consistente desequilibrador do campeão. E se Rodrigo e Lima formaram, a larga distância, a melhor dupla avançada do campeonato, num sistema com um ponta de lança, a última vaga deve pertencer ao rei das assistências: Candeias fabricou 11 golos e marcou quatro, sendo diretamente responsável por mais de um terço dos golos da sua equipa. Aplausos ainda, a fechar, para nomes como Markovic, Rafa Silva, Ricardo Horta e Rafael Martins e para alguns fenómenos que duraram sensivelmente meia época (casos de Bebé, Luís Leal, Montero ou Ricardo Quaresma).