O primeiro personagem passou a primeira semana de abril de 2025 a preparar a sua equipe para um grande dia. Um verdadeiro clássico. A depender de resultados combinados naquele fim de semana, poderia voltar à casa como líder do campeonato.
Chegou confiante ao palco do confronto. Um ambiente nada fácil de lidar, aliás. Conseguiu mais do que uma simples vitória. Obteve, no fim, uma sonora goleada. Quatro gols que, na verdade, poderiam ter sido muito mais.
No calor do jogo, provocou os adeptos do rival ao fazer um mero gesto com a mão. Mostrou em duas oportunidades quatro dedos da mão, em alusão aos duelos recentes contra o adversário histórico. Nada criminoso.
Poucos dias de depois, mesmo sem ter cometido qualquer violência física ou verbal, acabou sendo punido com uma multa financeira de 408 euros imposta pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.
Também no começo de abril, porém de 2022, o segundo personagem acordou disposto única e exclusivamente a fazer o mal. Comprou o bilhete para acompanhar um jogo de futebol, mas não para desfrutar do espetáculo.
Foi ao estádio tão somente para atacar a cor de um jogador profissional. Definiu como alvo da sua ignorância um jovem de apenas 22 anos. Tudo premeditado. Estava nas tintas para o rolar da bola.
Poucas semanas depois, o mesmo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol definiu o seguinte castigo para o clube do (ainda desconhecido e já esquecido) adepto racista: 890 euros.
Para bom entendedor, meia explicação basta: 482 euros separam uma simples provocação gestual de Bruno Lage de um horrível ataque discriminatório contra Sandro Cruz. Viva o futebol português!
*Bruno Andrade escreve a sua opinião em português do Brasil