Tirambaço: substantivo masculino; Chute violento em direção ao gol. 

Luís Filipe Vieira apontou o caminho para um novo título europeu do Benfica. E, neste caso, apontar não é feio.

Outra coisa diferente, mesmo que nos digam por onde ir, é chegar ao destino.

O exercício é simples. Em 25 anos, apenas duas equipas de fora das cinco grandes ligas se sagraram campeãs europeias: FC Porto e Ajax. Nos outros 23, a ditadura do dinheiro não permitiu quaisquer sonhos a emblemas de ligas mais pequenas.

Aliás, basta olhar as finais por outro lado: quem as disputou.

Em 50 equipas que chegaram ao último jogo da Champions, apenas três foram de uma liga dita menor: o Ajax de 95, o Ajax de 96 e o FC Porto de 2004. As restantes 47 eram de Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha ou França.

É um número brutal. Quer outro? Nesses 25 anos, das 100 equipas que disputaram as meias-finais, 92 eram das cinco grandes ligas.

Portanto, apenas oito vieram de campeonatos periféricos.

FC Porto em 93/94 e 2003/04

Ajax em 94/95, 95/96 e 96/97

Panathinaikos em 95/96

Dínamo Kiev em 1998/99

PSV, a última, em 2004/05

Provam os números que chegar aos quatro últimos da UEFA Champions League é um feito extraordinário para alguém que não joga em Inglaterra, Espanha, Alemanha, França ou Itália.

Pense nisto: nunca na História da Taça/Liga dos Campeões Europeus existiu um período tão prolongado como agora só com equipas das Big Five nas meias-finais. O fosso aumentou claramente.

Extraordinário e histórico, acrescente-se então sobre quem de Holanda, Portugal, Bélgica, Ucrânia, Rússia, etc, conseguir furar a regra estabelecida pelo poderio financeiro.

Claro que essa equipa também pode ser o Benfica. Não agora, não já, mas lá à frente onde o futuro é muito incerto.

Uma declaração daquelas de Vieira tem eco, porque aponta a um fim longe da realidade atual quando se pensa nos registos de cima e a maioria dos adeptos fixa-se aí. Creio, porém, que aquela afirmação acarreta inevitabilidade.

Sem a mesma quantidade de dinheiro que clubes de outras economias resta ao Benfica fazer diferente: se não pode comprar, cria; se não pode adquirir, já não pode achar que 15 milhões são uma anormalidade de dinheiro. A inevitabilidade está aqui.

Em 2014, Luís Filipe Vieira dizia: «O Benfica não pode ignorar uma proposta de 15 milhões por um jogador que nunca jogou na equipa principal.» Ainda que nenhum clube de ligas menores se possa dar ao luxo de não vender, um olhar rápido ao lado direito da seleção diz que o que talvez fosse verdade há quatro anos, provavelmente já não o é em 2018. 

Dizia que apontar, neste caso, não é feio. Feio é não seguir o que se aponta, com a certeza de que quando os demasiado ricos dizem isto, o meio passa a ser muito mais relevante do que o fim que ele anuncia.

O Tirambaço é um espaço de opinião do jornalista Luís Pedro Ferreira. Pode segui-lo no Twitter