Ancelotti nasceu para ganhar. Como jogador era talentoso, inteligente e elegante; um médio capaz de marcar golos e de manter uma equipa equilibrada e serena.  

Começou no Parma, brilhou na Roma, ganhou tudo no Milan. Na seleção teve menos sorte, falhando o título mundial de 1982, em Espanha, por lesão.

Mas a vida dá muitas voltas, o destino prega partidas e foi em Espanha, precisamente, que atingiu o seu melhor como treinador.

Sim, já tinha vencido a Liga dos Campeões com o Milan (duas vezes) mas com o Real Madrid atingiu uma outra dimensão – galáctica.

Em 2014, sucedendo a José Mourinho, voltou a levar o Real Madrid à glória europeia – algo que escapava desde 2002. A equipa tinha o melhor Cristiano Ronaldo, Benzema, Casillas, Sérgio Ramos, Pepe… Foi a primeira ‘orelhuda’ para Carvajal, Nacho ou Modric… que já têm seis.   

Ancelotti saiu, eventualmente de Madrid. Percorreu altos e baixos, foi campeão na Alemanha, tal como tinha sido em Itália, França, Inglaterra ou Espanha. Mas a Champions, essa não voltou a ganhar.

Até voltar a Madrid. Porque, como ele disse, o clube «tem alguma coisa especial, não pode ser coincidência».

Pelo meio, teve a humildade de dar um passo atrás, para dar dois em frente. Esteve no Nápoles e no Everton, sem qualquer possibilidade de lutar por títulos. Até voltar a Madrid.

Quando falamos de treinadores que marcaram e mudaram o jogo, dificilmente pensamos logo em Ancelotti. Dos seus contemporâneos, falamos de Sacchi, Cruijff, Wenger, Mourinho, Guardiola, Klopp…

E, no entanto, Carletto ganha mais, em particular na Europa: são já sete Champions (duas como jogador, cinco como treinador). Inigualável. Pode não ser o treinador da moda. Mas nunca sai de moda. Está sempre na moda. Fica sempre bem, como os fatos pretos que gosta de usar.

Com uma tremenda capacidade de unir egos, de gerir grupos, de encontrar soluções, sabe adaptar as suas ideias às características dos jogadores, tirando o melhor de cada um. Buscando equilíbrios e resultados. Como quando jogava.

O seu estilo é ganhar. Jogos e troféus. Com discrição. Com pragmatismo.

Um italiano que conquistou Espanha. E a Europa. Outra vez.