PLAY é um espaço semanal de partilha, sugestão e crítica. O futebol espelhado no cinema, na música, na literatura. Outros mundos, o mesmo ponto de partida. Ideias soltas, filmes e livros que foram perdendo a vez na fila de espera. PLAY.

SLOW MOTION:

«89» - de Dave Stewart

Este conto de fadas começa assim: Michael Thomas corre – sim, ele conseguia correr -, encosta a ponta da chuteira à bola e engana o truculento Bruce Grobelaar. Último minuto do Liverpool-Arsenal, última jornada da época 1988/89, o título miraculosamente ganho em terreno hostil. Anfield Road, claro.

89 é o título do documentário extraordinário que recupera o mais belo episódio da história do Arsenal. Pelo menos o mais emocionante. Recupera a tarde de 26 de maio, os protagonistas deste maravilhoso e imprevisível final, imagens nunca antes exibidas. O resultado é uma viagem a páginas douradas do campeonato inglês.

Paul Merson, Alan Smith, George Graham, Ian Wright e, sim, o improvável Michael Thomas, que alguns anos depois viria a ser futebolista do Benfica. Sem ponta de sucesso.

O futebol é isto. A comunhão genuína de fiéis unidos em redor de uma causa. No caso, o Arsenal. Anfield é o altar de ocasião e Michael Thomas o ministro da óstia sagrada.

Michael Big Balls Thomas, como lhe chamava Graeme Souness.

Pormenor curioso: Michael Thomas, herói do Arsenal, é adepto do Liverpool e representou os reds durante sete temporadas. ‘Oh, the irony!’.

PS: «Only the brave – Só para bravos» – de Joseph Kosinsky

Anotem o elenco: Jeff Bridges, Josh Brolin, Miles Teller, Andie MacDowell, Jennifer Connelly… De respeito.

O filme acompanha uma corporação de bombeiros até ao grande combate com um dos maiores incêndios na história dos EUA, ocorrido em 2013 na cidade de Yarnell, Arizona.

Baseado em factos verídicos, o filme chega em boa altura ao nosso país. Documento impressionante, incomodativo, implacável com a nossa memória e com os registos dos incêndios deste nosso triste Portugal em 2017.

A luta dos homens, heróis, contra o monstro de chamas. O fim do mundo bem desenhado pelo realizador Joseph Kosinky, autor de Tron (2010) e Oblivion (2013).

SOUNDCHECK:

«Point of no reply» - dos The Horrors

Faris Badwan, vocalista da banda, é fanático pelo Blackburn Rovers. O meu colega Daniel Dantas passou-me a informação e o resto é música. E uma pequena homenagem aos Rovers, pois então, surpreendentes campeões ingleses na temporada de 1994/95.

Quem não se lembra dessa fantástica equipa, treinada por Kenny Dalglish e comandada pelos golos de Alan Shearer?

Graeme Le Saux, Richard Witschgue, David Batty, Tim Flowers, Kevin Gallacher… vale a pena ouvir o excelente álbum dos The Horrors (V, de 2017) e recordar esta equipa.

PS: «Who Built the Moon?» - dos Noel Gallagher’s High Flying Birds

A melhor forma de respeitar a memória dos Oasis é acompanhar o projeto de Noel, High Flying Birds. Está aí o novo álbum do mais respeitável dos manos Gallagher, com as guitarras do costume e novas faixas condenadas ao sucesso.

O terceiro álbum está aí, fresquinho. Este é o primeiro single, Holy Mountain.

«PLAY» é um espaço de opinião/sugestão do jornalista Pedro Jorge da Cunha. Pode indicar-lhe outros filmes, músicas e/ou livros através do e-mail pcunha@mediacapital.pt. Siga-o no Twitter.