PLAY é um espaço semanal de partilha, sugestão e crítica. O futebol espelhado no cinema, na música, na literatura. Outros mundos, o mesmo ponto de partida. Ideias soltas, filmes e livros que foram perdendo a vez na fila de espera. PLAY.

SLOW MOTION:

«The Pass» - de Ben A. Williams

A nomeação para um BAFTA alertou-me para o sucesso que o estreante Ben A. Williams estava a conseguir. Williams filma a relação entre dois colegas de equipa, jovens de 19 anos saídos das camadas jovens de um clube londrino.

Na noite anterior à estreia de ambos da Liga dos Campeões, na Roménia, Jason e Ade estão demasiado ansiosos e não conseguem dormir. Lutam, brincam, provocam colegas. Até que surge um beijo nos lábios. E a vida deles não volta a ser a mesma.

A partir desta cena, Williams pretende chamar a atenção para uma realidade quase sempre escondida e maltratada no futebol profissional. A homossexualidade e, por consequência, a homofobia.

Jason e Ade apaixonam-se. Como reage o balneário da equipa? Que consequências esse amor proibido pode levar às suas carreiras? Está o mundo másculo do futebol preparado para uma história destas na vida real?

O filme foi aclamado em 2017 no circuito de produções independentes e venceu o prémio de melhor película no Thinking Football Film Festival, em Bilbau. O ator Russel Tovey (Jason) tem uma interpretação fantástica, extremamente intensa e credível. Talvez o conheçam das séries Quantico e Sherlock.

PS: «Dunkirk» – de Christopher Nolan

1940, Bretanha. As tropas Aliadas estão encurraladas entre o mar e a fúria bélica nazi. Como voltar a casa, Inglaterra? O filme estreou em Portugal há vários meses, teve nomeações para os Globos de Ouro e é um sério competidor aos Oscars.

Vi-o na passada semana, impressionado com a beleza da filmagem de Nolan nas águas do canal da Mancha e na areia das praias de Dunquerque. Impressionista, visionário, tecnicamente irrepreensível.

O que falta ao filme? Uma personagem com a intensidade emocional de Desmond Hoss (Hacksaw Ridge). Mark Rylance, Kenneth Branagh, Cillian Murphy e Tom Hardy são os nomes mais fortes do elenco.

SOUNDCHECK:

«Senna» - de Gonçalo Alvarez

Primeira aventura a solo do baixista dos bracarenses Long Way To Alasca. O disco chama-se Boavista e uma das preciosidades do álbum é este Senna. Homenagem, pois então, a um dos ídolos desportivos de Gonçalo Alvarez. Instrumentação diversificada, a associar simples dedilhares de cordas a cocktails de efeitos sintetizados, Gonçalo apresenta-nos uma poção mágica acertadíssima para contrariar os requintes maléficos deste inverno. Há luz e alegria.

PS: «Woodstock» - dos Portugal. The Man

Os lordes de Portland são fãs dos Blazers – primeiro ponto em comum com este vosso escriba -, adoram Portugal – segundo – e continuam a fazer discos soberbos – não, não há terceiro.

Ao oitavo álbum, os rapazes nascidos no Alasca conseguiram o maior hit da carreira com o single Feel It Still. Uma música condenada a ser bem sucedida, com refrão orelhudo, ritmo vivo e o falsete de John Baldwin Gourley sempre acertado.

Este é o disco mais pop e colorido da banda e aquele em que mais se afastam do meu ideal sonoro. Ainda assim, o trabalho está muito bem produzido e há uma mão cheia de canções ideais para estarem nas playlists das rádios mais comerciais. Deixo-vos com Live in the Moment.

«PLAY» é um espaço de opinião/sugestão do jornalista Pedro Jorge da Cunha. Pode indicar-lhe outros filmes, músicas e/ou livros através do e-mail pcunha@mediacapital.pt. Siga-o no Twitter.