PLAY é um espaço semanal de partilha, sugestão e crítica. O futebol espelhado no cinema, na música, na literatura. Outros mundos, o mesmo ponto de partida. Ideias soltas, filmes e livros que foram perdendo a vez na fila de espera. PLAY.

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SLOW MOTION:

«GEORGE BEST: ALL BY HIMSELF» - de Daniel Gordon

«… Foram os piores 20 minutos da minha vida».

George Best, claro. Tudo já foi escrito e reescrito sobre a tortuosa existência de um dos melhores avançados de sempre. Mesmo aqui no Maisfutebol. A lista de artigos é longa e rica.

Porquê voltar a Best, então? Bem, por uma boa notícia. No próximo dia 24 de fevereiro chega aos cinemas o novíssimo documentário sobre a vida do antigo avançado do Manchester United.

Ainda não tive acesso a esse precioso documento - supostamente, o documento definitivo sobre Best -, mas as primeiras impressões da imprensa britânica são extremamente positivas.

Best, George Best.

Não sei quantas oportunidades voltarei a ter para escrever sobre Best. Por isso, o melhor é mesmo aproveitar e recordar mais alguns remates certeiros.

«Gastei imenso dinheiro em carros, mulheres e bebida. O resto desperdicei.»

«Se me dessem a escolher entre um grande golo de fora da área ao Liverpool ou ir para a cama com a Miss Universo... bem, teria muitas dificuldades. Felizmente tive as duas coisas.» 

Best, falecido em novembro de 2005, vítima dos seus próprios demónios. Um homem com um notável sentido de humor.

«David Beckham? Não remata de pé esquerdo, não joga de cabeça, não faz tackles. Fora isso, bom jogador.»

«Cristiano Ronaldo? Muitos jogadores foram considerados o novo George Best. Pela primeira vez isso é um elogio para mim.»

«Paul Gascoigne? Um dia disse-lhe que o QI dele era inferior ao número que usava na camisola. O Gazza virou-se para mim e perguntou-me 'o que é o QI'?»

George Best, muito em breve num cinema perto de si. Absolutamente imperdível.

PS: «La La Land» – de Damien Chazelle

Postal ilustrado de Los Angeles, realização imaculada de Chazelle (depois do intenso Whiplash), sintonia feliz entre Ryan Gosling e Emma Stone. 

Um filme para saborear cena a cena. Mergulhar na cor e no detalhe, na extraordinária banda sonora, no sentido de humor refinado e nos momentos musicais impecavelmente coreografados.

Não sou fã de musicais, mas La La Land foi uma experiência reconfortante. O argumento é simples, até primário, e as 14 nomeações para Óscar são desajustadas. Mas o produto final deste filme é convincente e hábil.

Uma viagem guiada à Broadway e ao tom da LA dos anos 50. Pela mão segura e confiante de Chazelle.

SOUNDCHECK

«INDOOR SOCCER» - de Speedy Ortiz

Herdeiro do anacrónico grunge de Seattle, o quarteto de Massachusetts faz aqui uma breve e tímida incursão pelo mundo do soccer.

O vídeo é divertido e a frase em título surge nas últimas notas. Tudo sob a pesada distorção de uma guitarra e de uma voz feminina a disseminar doçura e raiva. Mistura explosiva e ganhadora, pois.

«All over the secret garden

All over the secret garden

He lives in the secret garden

It's not invincible, no, my darling

I'm not invincible when I fall

The tangle go in the secret garden

I fucking hate playing indoor soccer»

PS: «Hang» - dos Foxygen

Aí está o quinto trabalho de estúdio dos californianos Sam France e Jonathan Rado. Um dos singles é este animado Follow the Leader, que aparenta satirizar a grandiosidade reclamada pela banda em anteriores gravações.

Os rapazes estão de regresso e em boa forma. Sobreviveram ao queixume, às zangas constantes e aos amuos com a comunicação social. E ainda bem, pelo menos para quem, como eu, os acompanha desde 2007.

VIRAR A PÁGINA

«SINDELAR» - de Camilo Francka

«Morte em Viena: a história de Sindelar, goleador e anti-nazi». Em 2013, antes de uma visita do FC Porto à Áustria, contei no nosso jornal a história - resumida - desta extraordinária personagem. 

Sindelar chegou, entretanto, a livro (mais um), pela pena de Camilo Francka. A história do «Homem de Papel» é encantadora, mas perturbante. Um ser humano fascinante.

«No mesmo cemitério onde repousam Beethoven, Brahms, Schubert e Strauss, um mausoléu negro acolhe os restos mortais do mais genial dos futebolistas austríacos: Matthias Sindelar. Morreu em janeiro de 1939, no limiar da II Grande Guerra Mundial, debaixo de circunstâncias misteriosas.»

«PLAY» é um espaço de opinião/sugestão do jornalista Pedro Jorge da Cunha. Pode indicar-lhe outros filmes, músicas e/ou livros através do e-mail pcunha@mediacapital.pt. Siga-o no Twitter.