Todos nós temos um momento João Moutinho na memória. O mais famoso será o desempate por penáltis contra a Polónia no Euro 2016, quando Cristiano Ronaldo o convenceu a ser um dos jogadores chamados a assumir tamanha responsabilidade. Estaria com pouca confiança… «Anda bater, que tu bates bem», disse Cristiano Ronaldo. E ele foi. E bateu bem.

Enfim, haverá quem se lembre do momento «maçã podre» - que isto da memória seletiva também é influenciado pelas paixões de cada um (e aí também haverá quem o lembre capitão do Sporting aos 20 anos!).

Haverá quem se lembre dos jogos sucessivos com uma regularidade espantosa no FC Porto, no Mónaco (aquele Mónaco de Leonardo Jardim!) da capacidade de um jogador com estatura apontada para jogar no Barcelona do Tiki-taka se impor no físico futebol inglês (e numa equipa de meio da tabela, ou menos do que isso).

Ou da recuperação de bola que acabou por resultar no golo eterno de Éder, dos 1000 jogos oficiais, enfim, de tanta coisa.

Destaco, todavia, o que outros disseram dele – até porque João Moutinho fez tudo isto sem desnecessários devaneios espampanantes de personalidade. Pelo contrário: discreto.

Para João Neves, Moutinho é «o jogador mais inteligente com quem jogou». Para Ukra, ele é simplesmente «o melhor jogador com que jogou».

É, seguramente, uma das provas vivas de que o futebol parece que se joga com os pés, mas é jogado com a cabeça. E de como é mais importante saber correr do que correr muito.

Moutinho foi titular num dos jogos mais importantes dos últimos tempos do (fustigado por lesões) Sporting de Braga. Disse presente. Jogou e fez jogar. Pensou o jogo, comandou a equipa, qual extensão do treinador em campo. Como tantas vezes fez.

E disse que pode jogar mais vezes. Se precisarem dele.

Já ganhou a Liga Europa uma vez. Foi contra o Braga. Será capaz de chegar a outra conquista?

Tem direito a sonhar. Porque sonha bem.