P.S. (Para Seguir) é um espaço assinado pelo jornalista Nuno Travassos, que pretende destacar jogadores até aos 21 anos. 

O Villarreal está bem distante do patamar europeu que tem atingido nos últimos anos, relegado para um modesto 17º lugar na Liga espanhola, mas ainda assim o técnico Javi Calleja tem cimentado a aposta em mais um talento da casa.

Manu Morlanes integra(va) a lista de candidatos ao «P.S. – Para Seguir» desde meados de 2016, ano em que capitaneou a seleção espanhola que perdeu a final do Europeu da categoria nos penáltis, para Portugal. Uma equipa que tinha talentos como Oriol Busquets, Brahim Díaz, Jordi Mboula ou Abel Ruiz (estes três últimos já aqui destacados).

A braçadeira batia certo com a imagem de um jogador com uma maturidade acima da média para a idade, que valorizava a qualidade técnica sobretudo através da perceção que tinha do jogo.

A marcha evolutiva foi depois abrandada por algumas lesões (esteve parado entre dezembro de 2016 e abril de 2017, por exemplo), mas aos 19 anos o médio começa a tornar-se uma opção regular no «submarino amarelo».

Manu Morlanes estreou-se pela equipa principal do Villarreal há um ano, numa receção ao Maccabi Telavive para a Liga Europa, a prova que proporcionou agora o primeiro jogo completo. Na visita ao Glasgow Rangers, do passado dia 29 de novembro, fez finalmente noventa minutos (tal como na passada quarta-feira, frente ao Almería, para a Taça do Rei).

A exibição em Ibrox foi particularmente elogiada pela imprensa espanhola, e o aspeto mais valorizado foi aquele que já em 2016 tinha prendido a atenção: a maturidade.

Recrutado ao Saragoça com 13 anos, Manu Morlanes é um médio vocacionado para assumir o comando do jogo. Um «8» para ligar a equipa, para gerir ritmos. Na Escócia fez de vértice esquerdo do losango de meio-campo do «submarino», mas está habituado também a formar um duplo-pivot, como médio mais solto, ou a jogar como interior em 4x3x3.

Manu Morlanes ainda tem alguma “timidez” para perder, mas a inteligência com que joga faz acreditar que perceberá a importância de encarar os duelos com outra firmeza e assumir o jogo de forma mais autoritária.

O Villarreal vendeu Rodri ao Atlético de Madrid, por 20 milhões de euros (valor base), mas já tem outro grumete para o submarino amarelo.