A ideia de que o pior já havia passado, depois da saída de Costinha, voltou a ser revogada com esta derrota clara, 0-3, em plena Mata Real, perante um Estoril arrumadinho, eficaz, a saber explorar o contra-ataque.

Calisto pegou numa casa a arder e precisa, obviamente, de tempo para impor as suas ideias. Mas este novo desaire do Paços prova, à evidência, de que a culpa não era mesmo só de Costinha...

A primeira parte foi a imagem do momento das duas equipas. O Paços quis, quis, quis, mas nunca conseguiu. O Estoril, sempre arrumado, taticamente maduro, foi mais eficaz e chegou ao intervalo com vantagem curta para aquilo que até podia ter concretizado.

Os pacenses começaram bem o jogo, com um forte pendor ofensivo. Mas rapidamente se percebeu que o ataque dos castores não estava em tarde inspirada.

Manuel José tentava remates cruzados, Tony ensaiou um tiro frontal, Romeu de mais perto. Mas não havia forma: Vagner sempre seguro, os pacenses sempre nervosos, no momento da verdade.

Mais acertada, a equipa estorilista foi pegando no jogo. A batalha do meio-campo estava a ser claramente ganha pelo conjunto da Amoreira. Carlitos e Evandro somavam bolas ganhas em zona de combate com André Leão e Ruben. Das bancadas, exigia-se a saída de Ruben. E Henrique Calisto tirou-o mesmo, aos 36.

Mesmo sem Luís Leal, baixa de última hora por lesão, o Estoril não acusou perda de poder ofensivo: Sebá passou a ser a referência atacante, Carlitos assumiu a função de pivot do meio-campo ofensiva. A máquina estorilista continuou a rolar.

Mesmo vindo de uma derrota em casa, frente ao V. Guimarães, o Estoril chegou a Paços exalando tranquilidade.

O golo de Balboa, em jogada nascida de erro de Ruben, mostrou também a intranquilidade de António Filipe, que deixou literalmente passar pelo meio das pernas o remate frouxo do extremo espanhol.

No segundo tempo só deu Paços. A equipa da casa, já experimentada em situações de desvantagem esta época, voltou a correr atrás do prejuízo. Sina deste conturbado arranque de temporada na Mara Real.

Era Bebé da esquerda; era Manuel José pela direita. Por vez até Romeu ou Seri pelo meio. Mas ficou sempre a ideia de que Carlão foi um ponta-de-lança ausente nos momentos em que os pacenses podiam ter concretizado.  

Letais na exploração do contra-ataque, os estorilistas selaram o triunfo forasteiro com mais dois golos na parte final. E saíram do banco os autores do 0-2 e do 0-3: João Pedro Galvão e Bruno Lopes resolveram definitivamente a questão.

E puseram a Mata Real ainda mais em estado de choque.