O Paços Ferreira joga este sábado nos Açores, frente ao Santa Clara, e em caso de vitória sobe ao quarto lugar, ultrapassando provisoriamente o Benfica. O treinador Pepa relativizou, no entanto, esse cenário, assim como as comparações que se fazem com a prestação da equipa pacense que terminou a temporada num histórico terceiro lugar.

«Queremos sempre ganhar e, se o fizermos, sabemos que vamos dormir no quarto lugar. Mas, em condições normais, se FC Porto, Benfica, Sporting e Sporting de Braga estiverem ao seu nível, ninguém lá chega e os quatro primeiros lugares são deles. Não andamos atrás da classificação de ninguém, mas ficar na história com o que está a ser feito, a partir de uma ideia de jogo e da valorização da equipa e dos jogadores», afirmou.

Pepa garantiu, de resto, que vai encarar o jogo com o Santa Clara como «uma final», antecipando «muitas dificuldades» em São Miguel. «O Santa Clara é uma equipa estável na Liga desde que subiu, com muita continuidade no plantel e um treinador muito experiente», começou por referir.

«Vai ser um jogo muito complicado, frente a uma equipa confiante e com jogadores juntos há muito tempo, mas estamos bem, confiantes e preparados, e, para nós, será como se fosse o último jogo das nossas vidas. Queremos muito quebrar a barreira psicológica dos 40 pontos.»

Para ter sucesso em São Miguel, o técnico pacense disse que a equipa nortenha terá de ser «rigorosa em termos táticos», para contrariar a «dinâmica difícil» dos açorianos, a partir de uma saída a três.

«Não é vulgar encontrar centrais esquerdos de qualidade e o Santa Clara tem dois com muita qualidade. A sua saída a três permite-lhes rentabilizar essa qualidade e cria uma dinâmica difícil de contrariar», destacou Pepa, juntando aos elogios «a rapidez dos avançados», capitalizando a procura da profundidade e «um guarda-redes com qualidade a jogar com os pés».

O jogo entre o Santa Clara e o Paços Ferreira vai voltar a ter público, o que para Pepa é uma excelente notícia.

«Não tocámos sequer no assunto do público, porque isso é normal. E o normal é haver adeptos, mesmo que essa presença agora esteja um pouco fora das nossas memórias recentes. Quando houve proibição de adeptos, simulámos o barulho normal dos jogos nos treinos, para estimular a concentração, até fizemos jogos entre nós, em simulações à porta fechada e com som ambiente. Foi a forma que encontrámos para lidar na altura com algo fora do normal», referiu.

Pepa aplaudiu o regresso do público às bancadas do estádio de São Miguel, no sábado, falando num sinal de esperança e lamentando apenas a ausência de adeptos do clube pacense.

«Ainda bem que volta a ser possível ter adeptos, é um sinal de que as coisas estão a evoluir para melhor, mas é uma pena os nossos adeptos não poderem acompanhar a equipa aos Açores. Acredito que estão com muitas saudades para nos verem ao vivo. Ainda não é possível, mas viajamos com os nossos adeptos no pensamento.»