Nica Panduru chegou ao Benfica em 1995, com rótulo de craque. Era o médio criativo do Steaua e da selecção da Roménia, mas face à concorrência de nomes como Valdo, João Pinto e Iliev nunca conseguiu fixar-se como titular, o que o levou a ser emprestado ao Neuchatel Xamax. A transferência para o F.C. Porto, em 1998, não melhorou as coisas: apesar de ter conquistado o título nacional na sua primeira época, com Fernando Santos como técnico, o romeno também não conseguiu impor-se nas Antas, acabando por rodar também, primeiro no Internacional de Porto Alegre, depois no Salgueiros. Em 2002, com 32 anos, fechou o capítulo português e a carreira de jogador, regressando à Roménia, para se tornar, no Poli Timisoara, o mais novo treinador de sempre no primeiro escalão daquele país.
Quase cinco anos depois, Panduru mantém a pinta de estrela. É, actualmente, o treinador do Farul Constanta, 14º classificado do campeonato. A convite de jornalistas portugueses, o antigo craque do Steaua aceitou fazer 230 quilómetros até Bucareste, para pôr a conversa em dia e projectar o Dínamo-Benfica desta quinta-feira. Continua a falar um português fluente e não exclui a hipótese de voltar a trabalhar em Portugal, mas não para já: «Um treinador normal não ganha nada; um bom treinador pode ganhar um campeonato, ou uma taça; um grande treinador ganha muitas coisas, muitas vezes, e afirma-se a nível internacional. Para já, eu sou um treinador normal. Daqui por uns tempos, veremos», sorri.
Eis as impressões de Panduru, assumido adepto do Steaua (rival do Dínamo, portanto) contadas ao Maisfutebol, na primeira pessoa:
O Benfica-Dínamo
«Vi o jogo de Lisboa e achei que o Benfica foi superior. O Dínamo vinha de dois meses sem jogos oficiais e isso notou-se. O Benfica teve várias oportunidades e se não fosse o Lobont, que é um dos melhores guarda-redes romenos, não teria precisado de esperar pelo último minuto para ganhar. Teve sempre uma velocidade a mais do que o Dínamo.»
O jogo da segunda mão
«O Dínamo é forte em casa e tem de fazer mais qualquer coisa do que em Lisboa, mas isso vai depender do que o Benfica deixar. Se tivesse de pôr dinheiro não saberia apostar, é jogo de tripla. Uma coisa é certa: se o Benfica marcar um golo, passa, não estou a ver o Dínamo a marcar três.»
A ausência de Rui Costa
«Se ainda é o Rui Costa que conheci, é uma ausência importante. Mas hoje em dia é cada vez mais difícil uma equipa jogar com um verdadeiro dez. Todos os médios têm de ser combativos, recuperar a bola e fechar nas acções defensivas. As equipas jogam todas em 4x5x1 quando não têm bola. E poucos treinadores arriscam apostar num fantasista, porque ninguém quer perder passes na zona central. Por isso, os grandes talentos actuais estão todos a jogar junto à linha lateral. O risco é muito mais pequeno. Eu não sei se o Panduru-jogador tinha lugar numa equipa do Panduru-treinador. Os tempos estão difíceis para os dez à moda antiga.»
O contacto com Fernando Santos
«Nunca tivemos uma relação muito próxima, mas eu percebo isso. Um treinador tem de ser professor, e não amigo dos jogadores. Ele chegou ao F.C Porto depois do Oliveira e tinha uma grande equipa, que já estava praticamente construída. Não quer dizer que não seja bom treinador: quem está há tantos anos em clubes grandes, tem de ter valor. Mas era mais fácil obter resultados com aqueles jogadores.»
Memórias de Portugal
«É daqueles países de que toda a gente gosta. Lisboa e Porto são cidades fantásticas e quanto aos clubes por onde passei, tanto Benfica como F.C. Porto se portaram muito bem comigo. Por isso não consigo dizer que gosto mais de um do que de outro.»