Paulo Ferreira, lateral do Chelsea e da selecção de Portugal, concedeu uma longa entrevista ao Maisfutebol, em Stamford Bridge, falando sobre o Mundial da África do Sul e a inusitada proposta dos bigodes para os jogadores nacionais. Um voto contra, para já:

Veja como seria a Selecção Nacional com bigode (fotos)

Pensa que será um Mundial especial, por ser na África do Sul?

«Nunca fui lá e será diferente, de certeza. Normalmente é no Verão, enquanto na África do Sul será Inverno. Todos temos expectativas para ver como irá ser. É algo desconhecido. Temos de ter em conta a altitude, a diferença de temperaturas.»

Tem colegas do Brasil (Beletti e Alex) e da Costa do Marfim (Drogba e Kalou). Já falaram sobre isso?

«Falámos pouco, até agora. Só nos rimos na altura do sorteio, dissemos logo que seria um grupo muito forte. Mesmo para o Brasil será complicado. Vamos reencontrar o Brasil e só queremos esquecer aquele jogo particular. Agora será no Mundial, não um particular, e será totalmente diferente.»

Quais as principais diferenças entre Scolari e Queiroz?

«São pessoas totalmente diferentes, também na forma de trabalhar. Mas é difícil estar aqui a enumerar diferenças. O importante, no fundo, é que a selecção saia a ganhar.»

Não sendo uma questão nova, qual a sua opinião sobre jogadores naturalizados na selecção?

«Não vale a pena falar sobre esse assunto, são questões da federação e do seleccionador. A selecção é o mais importante, que ela saia a ganhar, que seja com A, B ou C. Que o povo português fique feliz. Se Portugal vencer, ninguém pensará nisso.»

No último Mundial, Portugal ficou em 4º lugar. Esperam mais em 2010?

«Toda a gente espera que façamos melhor. Nós também temos esse desejo, mas sabemos que não é fácil. Todos temos o sonho de vencer um Mundial, mas temos um grupo muito complicado e para já temos de pensar em superar essa primeira fase. É essa a nossa prioridade. Temos condições para passar a fase de grupos. A partir daí, tudo pode acontecer. Vêm os detalhes, um pouco de sorte também. Ambicionamos chegar o mais longe possível e temos esse sonho de vencer um Campeonato do Mundo, mas há um longo percurso a percorrer. Temos de manter os pés bem assentes no chão, é importante começar bem.»

Olhando para trás, chegaram a temer pela qualificação para o Mundial?

«Nós acreditámos sempre. No fundo, fomos nós que complicámos a nossa vida neste apuramento, mas quando foi preciso, estávamos lá. Logicamente, preferíamos que não tivesse sido dessa forma. Não foi fácil, foi culpa nossa, complicámos a nossa vida. Podíamos ter encarado todos os jogos da mesma forma. Depois houve jogos como a Dinamarca, em que estivemos muito bem mas acabámos por perder. A verdade é que, quando foi preciso, demos as mãos e fomos para a luta. No final, o que conta é que conseguimos, é isso que fica para a história. Portugal de fora seria triste para os portugueses e para o próprio Mundial.»

No Portugal-China, surgiram cartazes a pedir a selecção de bigode no Mundial. Aderia à ideia?

«Não vi, só li nos jornais. Mas acho que não, nunca me vi de bigode. Só ia dar para sermos motivo de gozo no Mundial. Não sei de onde foram buscar isso.»

Você tem alguma superstição, algo que faça antes dos jogos para dar boa sorte?

«Tenho apenas um fio, dado pela minha mãe, com um crucifixo. Disse-me para beijar três vezes antes de entrar em campo. Ela andava com ele e fez questão de me dar, depois da lesão que tive. Não posso jogar com ele, mas antes de entrar em campo faço isso. Se for ao Mundial, levo-o comigo. Foi-me dado pela minha mãe e, se estou onde estou, devo-o muito a ela.»