Hoje a FIFA chama a esta prova Mundial sub-17, nessa altura disputou-se na Escócia e os dois treinadores começavam a dar forma a alguns dos jogadores que seriam campeões do Mundo, dois anos mais tarde, em Lisboa.

No grupo que se deslocou à Escócia as grandes figuras eram Peixe, Gil, Figo, Capucho, Bino, Abel Xavier. O guarda-redes era Paulo Santos, então no Sporting.

Portugal ficou em Edimburgo e começou por empatar com a Arábia Saudita (2-2) e ganhar tremido à Colômbia, por 3-2. No último jogo, na tarde de 14 de Junho, era preciso decidir tudo com a Guiné Conacry e o ambiente estava hostil para os portugueses.

Era difícil um jogo decorrer pior. Aos 24 minutos Portugal perdia, aos 28 Peixe era expulso, aos 46 Gil também via o vermelho. Atrás da baliza, Paulo Santos inchava de tanto insulto. Tinha 17 anos e o sangue quente. Aos 80 minutos, Portugal empatou e foi de mais. O guarda-redes festejou tanto que acabou por baixar os calções aos adeptos. Que não gostaram do que viram.

No final Portugal e Arábia Saudita conseguiram o apuramento no Grupo D, mas para Paulo Santos a prova terminou ali. Os adeptos queixaram-se, a polícia foi envolvida, a FIFA também, claro.

Nos quartos-de-final, com a Argentina, Portugal ganhou 2-1. Mas nas meias-finais caiu, ante a Escócia, por 1-0. Acabou a disputar o terceiro e quarto lugar, com o Bahrain, a quem derrotou por 3-0. Tudo com Nuno Fonseca na baliza, Paulo Santos na bancada e Portugal sem guarda-redes suplente.

A estória terminou sem que a polícia escocesa falasse mais no caso, mas a FIFA quis fazer dos calções em baixo de Paulo Santos um exemplo e puniu-o com um ano de suspensão. Um castigo bem duro, sobretudo se pensarmos em outros episódios, passados uns anos depois...