Aos 42 anos, cumpridos há pouco, Paulo Sérgio Bento Brito chega a um grande. Era uma ambição assumida pelo ainda treinador do V. Guimarães, apesar de a sua experiência na Liga ainda ser curta.

Depois de uma carreira como jogador que passou por vários clubes portugueses e terminou no Olhanense, Paulo Sérgio iniciou a carreira de treinador precisamente no Algarve. Subiu com o Olhanense à Honra, onde terminou a primeira época em nono e a segunda em quinto.

Seguiram-se passagens por Santa Clara, onde terminou em quarto na primeira época e saiu em Janeiro. Depois o Beira Mar, também na Honra, onde completou a temporada 2008/09 em sexto lugar. A estreia na Liga aconteceu em 2008/09, pelo P. Ferreira.

A primeira época teve como grande destaque a presença na final da Taça de Portugal, onde o Paços perdeu com o F.C. Porto, e terminou com o 10º lugar na Liga.

Paulo Sérgio iniciou a temporada ainda em P. Ferreira, mas saiu em Outubro, contratado pelo V. Guimarães, que foi buscá-lo para substituir Nelo Vingada. Depois de um início abaixo das expectativas, a equipa recuperou e ocupa nesta altura o quinto lugar na Liga, o último de acesso às competições europeias.

Na época passada, Paulo Sérgio falou em entrevista ao Maisfutebol. Seguem-se alguns excertos da conversa, em volta das ideias e filosofias do futuro treinador do Sporting

Ambições para a carreira

O futebol é o momento e a fronteira entre o bom e o mau é uma linha muito ténue. Não há nenhum treinador que não tenha ambição. O que gosto de recordar é que por onde tenho passado tenho tido sucesso e acredito que hei-de subir mais degraus. Quando, não sei. O futebol é o momento. Mas subir só se consegue com resultados. Recordo o trajecto de Fernando Santos, que começou um pouco como eu. Passados cinco ou seis anos chegou a um clube grande, na circunstância o F.C. Porto.

Sente-se com capacidade para um clube grande?

Sem dúvida que sinto. Mas com humildade para continuar a crescer. Não tenho a mania que sei tudo, mas que vou todos os dias à procura do que me falta, ninguém duvide disso. Tenho a ambição de chegar ao mais alto patamar que esta profissão me pode levar.

Considera-se um treinador da nova geração?

Sou um treinador da nova geração porque tenho 40 anos. Nunca me quis conotar com ninguém nem colar ao sucesso de ninguém. Em termos de competência não há técnicos da nova geração ou da antiga geração. Há muita gente a colar-se a Mourinho, que é um treinador da nova vaga, mas não podemos esquecer Manuel José, que se calhar tem até mais sucesso e que é um treinador da vaga mais antiga. A competência não tem idade.



Sobre táctica e estratégia

Importante é não perder os nossos princípios. Não sou um treinador de sistema, não sou um treinador que me agarre única e exclusivamente a um sistema porque entendo que isso limita a minha intervenção, aquilo que pode ser a surpresa para cada jogo. Um estratega tem de tentar surpreender os seus adversários. O que nós não abdicamos é dos princípios. Os princípios e os sub-princípios de jogo não alteramos. Nem andamos a confundir a cabeça aos atletas. Jogando em 4x3x3 ou em 4x4x2, os princípios e sub-princípios são os mesmos. O que acontece quando se altera de um sistema para o outro são mudanças de cosmética, de posicionamento, mas que não mudam os princípios. O trabalho quando temos a bola, por exemplo, o tipo de solução que os nossos homens mais avançados têm que dar aos companheiros mais recuados é sempre igual.

O que muda com as alterações tácticas?

A alteração de posicionamentos, com três ou quatro homens no meio-campo, tem mais influência na forma como defendemos no momento de perda da bola. Às vezes passa-se a ideia que as alterações do sistema táctico podem provocar grandes alterações nos hábitos ou rotinas dos jogadores. Não é verdade. Fazemos apenas pequenas mudanças que entendemos necessárias, em termos estratégicos, para determinados jogos.