É definitivamente o ano de afirmação de Nhuck, como Heldon é conhecido em Cabo Verde, depois de também já ter sido uma das figuras dos «Tubarões Azuis» na extraordinária fase de qualificação de Cabo Verde para o Mundial-2014. A seleção africana conseguiu os pontos suficientes para jogar o último play-off africano de acesso ao torneio do Brasil, mas perdeu o bilhete devido à utilização irregular de um jogador no decisivo jogo com a Tunísia.

Nascido em Espargos, na Ilha do Sal, a 14 de novembro de 1988, Heldon começou a jogar no Batuque, clube do Mindelo. Veio para Portugal, na temporada de 2006/07, para jogar nos juniores da Académica. Na temporada seguinte teve o primeiro contato com a Madeira para onde foi jogar ao serviço do Clube Futebol Caniçal. Voltou ao continente para jogar pelo Fátima, por duas temporadas, onde terá atraído a atenção de Pedro Martins que o foi buscar, na temporada de 2010/11, para a equipa B do Marítimo. Aos poucos foi-se afirmando na equipa principal e nas duas últimas temporadas já foi um dos indiscutíveis no onze habitual da equipa dos Barreiros, mas nunca com a influência no ataque como está a acontecer agora.

Na primeira temporada, em 2010/11, jogou mais pela equipa B, mas ainda assim, somou quinze jogos na Liga e estreou-se a marcar num jogo da Taça de Portugal, numa partida que o Marítimo acabou por perder (1-2). Na temporada seguinte, Heldon falhou apenas um jogo da Liga e marcou quatro golos. Na última época, jogou menos na Liga (22 jogos), marcou apenas dois golos, mas juntou-lhes outros dois na Liga Europa.

Esses golos todos juntos (8), não chegam para os que o avançado já marcou esta temporada (9). O início de temporada até foi discreto. Marcou o primeiro golo à 4ª jornada, no triunfo no Bonfim (4-2), mas depois esteve até finais de outubro sem festejar. Voltou aos golos na derrota em casa diante do Estoril (1-3), na transformação de uma grande penalidade. A partir daí tomou-lhe o gosto e já está a marcar golos há cinco jornadas consecutivas. Marcou na derrota em Alvalade (2-3), também de penalti, depois abriu caminho para o triunfo sobre o Gil Vicente (3-2), foi decisivo na vitória em Arouca (2-1), assinando os dois golos da equipa madeirense, e voltou a bisar este domingo, no empate com o Nacional (2-2). Sete golos na Liga em pouco mais de um mês aos quais se junta ainda mais um no triunfo sobre a Oliveirense (3-0) para a Taça de Portugal.

Um registo que o avançado quer continuar a alimentar. «Tenho que continuar a trabalhar, tenho que me empenhar mais para ajudar a equipa mais vezes», destacou, em conversa com os jornalistas, depois do final do dérbi da Madeira. Um jogo em que ao avançado marcou mais dois golos. «É pena o resultado. Estes dois golos não chegaram para ajudar a equipa a conseguir os três pontos, mas há mais jogos e há que continuar a trabalhar», acrescentou.

Na próxima ronda, o Marítimo visita Coimbra, para medir forças com a Académica, mas Heldon prefere não traçar metas. «Não tenho meta nenhuma. O meu objectivo é ajudar a equipa e vou continuar a trabalhar sempre nesse sentido», referiu ainda este domingo. Com os dois golos que marcou ao Nacional, Heldon passa a contar com oito na Liga, sendo apenas superado pelos colombianos Fredy Montero (13 golos) e Jackson Martínez (10).

Registo de Heldon no Marítimo (competições nacionais)

2013/14: 14 jogos/9 golos

2012/13: 33 jogos/3 golos

2011/12: 37 jogos/4 golos

2010/11: 19 jogos/1