Em declarações à BBC, Grant confirmou que a iniciativa partiu dos jogadores, quando se soube que os funcionários em causa poderiam juntar-se a mais 85 nomes dispensados pelo Portsmouth, desde que o clube se tornou o primeiro emblema da Premier League a entrar em administração judicial: «Todos contribuímos: eu, os jogadores e o resto da equipa técnica, e ficámos felizes por fazê-lo», confirmou o antigo treinador do Chelsea.

«Muitas destas pessoas estavam aqui antes de nós chegarmos e devem continuar quando sairmos, é preciso conservá-las no clube. Quando este perder o seu património humano terá dado o primeiro passo para a extinção», acrescentou Grant, dando outro exemplo: «Temos um técnico de equipamentos que trabalha de manhã à noite e trata de onze equipas sozinho. Ele tinha dois ajudantes que tiveram de deixar o clube, devido à situação económica, mas sempre que olho para ele fico sem palavras. Admiro-o muito, como admiro as pessoas que trabalham longe dos holofotes. Sem eles, não há equipa», concluiu Grant.

Segundo informa a BBC, cada jogador contribui com cerca de 1600 euros por mês, garantindo assim os salários destes quatro elementos. A história foi confirmada por Tug Wilson, tratador de relva no complexo desportivo do Portsmouth e um dos beneficiários da solidariedade do grupo: «Numa altura em que se lêem tantas coisas negativas acerca dos jogadores de futebol, o que se tem passado neste clube é uma coisa fantástica», afirmou Wilson.

Antes de entrar em administração judicial, para evitar falência, o Portsmouth tinha cerca de 300 funcionários, metade dos quais a tempo inteiro. O clube foi penalizado com a subtracção de nove pontos, situação que o deixa praticamente condenado à descida de divisão. Entretanto, o administrador Andrew Andronikou anunciou que o Portsmouth chegou a acordo com a Premier League, tendo agora autorização para negociar a venda de passes dos seus jogadores fora do período de transferência, como forma de arranjar financiamento imediato para cobrir algumas das dívidas.