Não precisarei de lhe explicar, acredito, que há jogos que encerram em si muito mais do que apenas aquilo que vemos em campo. Sendo esse, sempre, o espetáculo principal, há, por vezes, tanto mais a ter em conta.

Os contextos, claro, o histórico, mas, acima de tudo, a rivalidade – essa pequena chama que, se for bem usada, pode ser um motor bonito do futebol (nem sempre o é, mas hoje não falaremos disso).

Daí que a noite deste domingo no Algarve foi diferente – sabíamo-lo de antemão. Porque em campo, quando o relógio batesse às 20h30, não iam estar só duas equipas ainda a lutar pela manutenção – estariam, sim, dois rivais num jogo decisivo. Farense contra Portimonense.

Nunca as duas equipas, dois dos principais emblemas algarvios, um do Barlavento, outro do Sotavento, se tinham enfrentado uma “final” nestes termos: era um verdadeiro mata-mata, como ouvi comentar durante a semana.

O Farense entrava mais confortável – um empate, bastava para assegurar a manutenção na II Liga; o Portimonense, precisava de uma vitória. Mas jogava em casa e desde cedo que se percebeu que esse seria um fator importante.

É que a equipa de Tiago Fernandes pareceu sempre querer mais. Teve mais bola, atacou mais, dominou mais e chegou a uma justa vantagem ao minuto 27. Samy, esquecido na pequena área após um canto, cabeceou para o fundo das redes, lançando a festa dos alvinegros.

O Farense parecia sofrer daquela síndrome bastante comum: se o empate basta, jogamos para o empate.

Ao intervalo, José Faria lançou Carter e Rui Costa, mas a toada manteve-se igual. Os leões de Faro pouco ou nada iam criando, realidade que foi alterada a meio da segunda parte.

Ali durante 5/10 minutos, o Farense mostrou que, afinal, estava em jogo e teve, na cabeça de Ruben Fernandes – curiosamente um algarvio, nascido em Portimão – a melhor chance. A bola bateu na barra.

A noite estava mesmo reservada para os de Portimão – sejamos francos: hoje, mereceram mais. Nem mesmo nos minutos finais, à busca daquele milagre, o Farense levou real perigo à baliza dos comandados de Tiago Fernandes.

Quando soou o apito final, foi ele, Tiago Fernandes, o treinador deste Portimonense, um dos reis da festa – abraçou-se a tanta gente, correu, saltou e, a certa altura, ajoelhou-se no centro do relvado, lançou os braços em direção ao céu, certamente a pensar no pai: o histórico goleador Manuel Fernandes.

Era aqui, em Portimão, que passavam férias; foi aqui, hoje, que Tiago deu uma alegria ao clube da terra, conseguindo a manutenção na II Liga.

Já ao Farense, resta o play-off com o Belenenses.

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A FIGURA: Samy

Desta noite, Samy não se esquecerá de certeza: quando, ao minuto 27, o central do Portimonense saltou mais alto do que toda a gente e cabeceou para o fundo das redes ainda estava longe de saber que esse golo seria muito mais do que isso: daria mesmo a manutenção na II Liga à equipa de Portimão.

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O MOMENTO: Um filho de Portimão e uma barra

Ruben Fernandes é de Portimão, no Portimonense se fez jogador, chegou a capitão e a figura maior do clube. Perto de acabar a carreira – e de regresso ao Algarve – foi no Farense que jogou esta época. Numa partida em que as oportunidades para os leões de Faro escassearam, foi, de forma poética, na cabeça de um portimonense (de nascimento) que teve a maior. Aos 63 minutos, Ruben cabeceou à barra. E se tivesse entrado?

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POSITIVO: Casa cheia em Portimão

Foi bonito ver perto de 3500 espectadores esta noite, em Portimão, para este dérbi algarvio que era decisivo. Naquela que foi a melhor casa da época, não deram por mal empregado os bravos que decidiram dedicar uma noite de domingo a roer as unhas: fossem adeptos do Farense ou do Portimonense.