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No fundo era disso que se tratava: um teste para bombardear a Coreia. É certo que a China não é a mesma coisa, mas pelo menos as bases do futebol são as mesmas: muito colectivismo e grande sentido de entreajuda. O socialismo aplicado ao futebol, lá está. O tal socialismo de que a Selecção a sério não teve piedade.

Convém nesta altura pegar na frase anterior, porque sim, houve duas selecções. A inicial foi pensada num sentido colectivo, para preparar o jogo com a Coreia. A última foi pensada num sentido individual, para ver em acção segundas escolhas. A primeira marcou e convenceu, a segunda marcou mas não convenceu.

Seja bem-vindo, senhor Ronaldo

Começando como todas as histórias devem começar, pelo início, deve dizer-se que Portugal entrou em campo virado para a frente. Dois médios de transição, dois extremos bem abertos, Simão pelo meio em trocas com Ronaldo e um ponta-de-lança alto: serve como uma luva no que se imagina necessário para bater a Coreia.

Queiroz: «Cumprimos tranquilamente os nossos objectivos»

A baixa, combativa e defensiva Coreia, aliás. A China cumpriu a sua parte, reduziu-se ao tamanho geográfico de Portugal, agrupou-se na retaguarda e esperou que o impacto nacional não batesse forte. Azar: bateu forte, mesmo. Portugal marcou um golo por Hugo Almeida e criou ocasiões para marcar mais cinco ou seis.

Fê-lo quase sempre com variações de flanco e velocidade no último terço. Sobretudo por Ronaldo. No dia do regresso, cumprindo a 69ª internacionalização (um número curioso, como diria Mota Amaral), o extremo foi tudo aquilo que tem sido no Real Madrid: motivado, furioso e insaciável. Portugal acompanhou-o.

A onda bate na Muralha chinesa

Na segunda parte tudo mudou. Aliás, começou por Queiroz, que mudou cinco jogadores e pouco depois mudou mais dois. Hilário e Varela tiveram a noite de estreia, João Moutinho e Pedro Mendes puderam mostrar-se outra vez, a Selecção mudou até a táctica, juntou dois avançados na área e uma espécie de losango atrás.

Deixou de ser uma ideia geral e passou a ser o somatório de várias individualidades. Com isso perdeu qualidade, claro. Não defendeu tão bem, não teve tanta velocidade, não conseguiu criar as mesmas situações de finalização e desagradou a um público claramente exigente. Soltaram-se assobios e a coisa piorou.

Queiroz: «Na China, aplaudem do princípio ao fim»

Nessa altura a onda de euforia bateu na muralha e a China até ameaçou marcar. Ameaçou uma, duas e três vezes. Só não marcou por um feliz acaso. Portugal atirou uma bola ao ferro e marcou mesmo no fim, mas não convenceu um público de memória curta. Enfim, um fait-divers. No essencial valeu a pena.