O mundo mudou tanto desde a última vez que Alverca e Santa Clara tinham jogado neste mesmo campo, a contar para a I Liga, que uma crónica não bastaria para lhe relatar tudo.

Vamos apenas aos factos: era Janeiro de 2002, havia Peixe e Pedro Martins de um lado, Toñito e Manuel Fernandes (no banco) do outro. Paulo Paraty no apito.

Cristiano Ronaldo era um jovem (ainda) desconhecido, Jardel a estrela do campeonato, Figo o melhor jogador do mundo. E por aí afora.

No meio de tanta mudança, há, porém, um ponto de conexão. Em 2002 como em 2026, Alverca e Santa Clara estão no principal escalão do futebol português com o mesmo objetivo – a manutenção.

O campeonato tem sorrido de maneiras diferentes aos dois emblemas: o Alverca tem surpreendido pela positiva, o Santa Clara pela negativa. E este axioma nem espelha bem o que foi o jogo de hoje que teve duas partes distantes. O Alverca foi melhor na primeira; o Santa Clara, na segunda.

Era aos açorianos, todavia, que uma vitória mais interessaria – ou um ponto, pelo menos – para essa luta pela permanência. O Santa Clara até teve a primeira aproximação de perigo à área, logo ao minuto 3, mas de nada valeu.

Chiquinho conquistou um penálti, por falta evidente de Sidney Lima, que Marezi converteu à passagem dos seis minutos de jogo.

O Alverca, que já se sabe que apresenta bom futebol, ficou confortável no jogo. Foi gerindo, dando até maior posse ao Santa Clara, mas sem permitir quaisquer aproximações à baliza de André Gomes.

A maior seria ao minuto 39, num remate em arco de Vinicius que, ainda assim, saiu desenquadrado.

Era preciso mais – Petit sabia-o e, por isso, ninguém estranhou que tivesse mudado dois jogadores logo ao intervalo, com entradas de Brenner e José Tavares.

E a verdade é que os açorianos melhoraram mesmo. A segunda parte, aliás, mostrou um Santa Clara mais afoito e que obrigou André Gomes a ter trabalho (algo que, na etapa inicial, não tinha acontecido, de todo).

Acreditaram os comandados de Petit que, com justiça, chegaram ao golo do empate, à passagem do minuto 76. Luis Fernando tinha acabado de entrar e trouxe do banco a inspiração para um belo remate, à entrada da área, que só parou no fundo das redes de André Gomes.

O jogo ficou em aberto – os últimos 20 minutos (contando com os descontos) foram de equilíbrio, sem que ninguém chegasse ao golo.

Deu empate, ao contrário desse Janeiro de 2002 em que, entre o minuto 80 e o minuto 90, o Alverca marcou três golos que lhe deram a vitória.

O mundo mudou mesmo.

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A FIGURA: Chiquinho

Foi ele quem conquistou o penálti, convertido por Marezi, foi ele quem mais agitou o jogo atacante do Alverca. É veloz, por vezes desconcertante, e fez uma partida consistente. A boa primeira parte dos ribatejanos teve muito de Chiquinho que, no segundo tempo, também ajudou a equipa a explorar o contra-ataque.

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O MOMENTO: Do banco, veio o ponto (76m)

Luis Fernando tinha-se estreado pelo Santa Clara na última jornada frente ao Benfica. Ao segundo jogo, o jovem avançado, vindo do Cruzeiro, estreou-se a marcar e com um grande golo que valeu aos açorianos um importante ponto – e a igualdade pontual com o Tondela, no 16º lugar.

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POSITIVO: André Gomes

Que André Gomes é um dos bons guarda-redes do campeonato já não espanta ninguém. Depois de algumas desconfianças inicial – fruto, diga-se, de erros que cometeu – o jovem guardião, emprestado pelo Benfica, voltou hoje a fazer uma excelente exibição. Não deu para a vitória, mas o empate do Alverca deveu-se também à segurança do seu guarda-redes.