«Foi aprovada uma proposta de intentar uma ação judicial contra o Arouca para a entrega das instalações do Estádio Municipal, e para que pague os encargos relativos à sua manutenção, tal como estava notificado», explicou à Lusa Margarida Belém, vice-presidente da Câmara.

Em novembro do ano passado, a câmara deliberou fazer alterações ao protocolo, em virtude da mudança de personalidade jurídica do Arouca, que passou a ser uma sociedade desportiva unipessoal por quotas. O contrato prevê que o clube pague uma renda anual de aproximadamente 6 mil euros mais IVA, e suporte os custos de água, luz, gás e manutenção das instalações, até então encargos da câmara.

Já o vice-presidente do Arouca, António Jorge Teixeira, entende que o contrato inicial, com validade até outubro de 2016, mantém a sua aplicação legal uma vez que «a Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas é gerida pela associação Futebol Clube de Arouca, sua única acionista».

«São os tribunais que fazem justiça neste país e nós cá estaremos para acatar aquilo que o tribunal entender. Estamos de consciência tranquila de que defendemos sempre os interesses do clube, acima de tudo», garantiu o dirigente.

A direção acusa mesmo a Câmara de estar a prejudicar a direção do Arouca, ao apresentar este novo protocolo apenas em novembro, «quando já tinha sido aprovado o orçamento da época», e de prejudicar igualmente os resultados desportivos do plantel. «Não foi por acaso que perdemos por 3-0 com a Académica. Isto põe em causa a credibilidade do clube e compromete a estabilidade do grupo de trabalho», alega a direção, que garante ainda que o diálogo foi interrompido pela autarquia que no próprio dia desmarcou a reunião que estava agendada para a passada quarta-feira, 26 de fevereiro.

Depois da aprovação da intenção camarária, por maioria de vereadores, o advogado do município deve entrar com o processo em tribunal nos próximos dias.