A fibra do PSG é fonte que não cessa, capaz de resistir e de enganar os adversários. Quando alegadamente prostrados, os campeões europeus ressurgem e abalam fatalmente. Assim foi perante o Bayern Munique (2-0), nos “quartos” do Mundial de Clubes.

Na tarde deste sábado, os comandados de Luis Enrique interromperam a série de quatro derrotas consecutivas ante os bávaros.

Face à goleada sobre o Inter Miami (4-0) – também em Atlanta – Enrique repetiu a receita, mantendo João Neves e Vitinha no “onze”. Por sua vez, Gonçalo Ramos não saiu do banco.

Entre os bávaros, Kompany operou duas alterações, apostando em Pavlovic e Musiala, em detrimento de Goretzka e Gnabry. No banco permaneceu João Palhinha, enquanto Guerreiro foi aposta aos 87 minutos.

Antes do apito inicial, Atlanta respeitou um minuto de silêncio em memória de Diogo Jota e André Silva, com Nuno Mendes a não esconder a emoção.

Recorde o desenrolar deste duelo.

Depois de um arranque veloz do PSG – liderado por Doué e Kvaratskhelia – a pressão subida e intensa do Bayern Munique empurrou os parisienses para a respetiva área. Em simultâneo, os bávaros encontraram o antídoto para estancar a criatividade de Neves e Vitinha, além das investidas de Nuno Mendes.

Em todo o caso, o ascendente do Bayern não impediu o PSG de ameaçar. Até ao intervalo, Neuer e Donnarumma protagonizaram vários duelos.

De parada e resposta – e depois de Upamecano marcar, mas em fora de jogo – a derradeira investida pertenceu aos alemães, com Musiala a tentar a sua sorte. Todavia, o voo de Donnarumma culminou numa potencial lesão no tornozelo do avançado de 22 anos. Entre semblantes carregados, o alemão deixou o relvado de maca.

De recordar que Musiala esteve ausente entre 4 de abril e 15 de junho, a recuperar de outra lesão. Por isso, Donnarumma foi o mais visado pelos adeptos na etapa complementar.

Acordado após uma primeira parte pobre, Barcola criou, a solo, uma ótima oportunidade aos 50 minutos. Mas, Neuer seguia imparável. A partir deste momento, a contenda partiu, com Olise e Doué em evidência.

Entre trocas, Neuer quase patrocinou o golo de Dembélé aos 70 minutos, com um erro tremendo longe da área. Serviu de derradeiro aviso.

Pouco depois, aos 78 minutos, João Neves estacionou à direita, mirou os adversários e serviu Doué para a estreia a marcar no Mundial. No primeiro momento em que surgiu solto no ataque, o médio português assinou a primeira assistência na prova.

Face ao golo, os comandados de Kompany caíram da mó de cima, incapazes de reagir. Assim, o destino parecia traçado. Até que o central Pacho viu o cartão vermelho, aos 82 minutos. Seguiram-se novas investidas dos bávaros, mas o melhor que surgiu foi um golo de Harry Kane em fora de jogo.

Numa fase de resistência, a tarefa da turma de Luis Enrique complicou-se quando Lucas Hernández guiou o cotovelo à face de Raphaël Guerreiro, vendo o cartão vermelho. O relógio assinalava 90+2m.

Curiosamente, de novo em contracorrente, Vitinha liderou um contra-ataque em superioridade numérica, com Dembélé a visar a trave. Na insistência, Hakimi bailou perante vários defesas e serviu o avançado francês, no coração da área.

Nos festejos pela estreia a marcar no Mundial, Dembélé homenageou Diogo Jota e André Silva.

Após dois triunfos em Atlanta, o PSG faz as malas para rumar a Nova Jérsia, onde vai medir forças com Real Madrid ou Dortmund na noite de quarta-feira (20h). Em suma, os franceses continuam a apontar a um ano perfeito.

Por fim, a tarde ficou marcada pela despedida de Müller, que encerrou o ciclo de 23 anos pelo Bayern Munique, um elo recheado de golos, títulos e sorrisos.

A Figura: Doué para desencravar, 78 minutos

Inconformado em todos os momentos, o jovem francês foi o primeiro a ameaçar a vantagem do PSG, no arranque. Geralmente a acelerar pelo meio e pela direita, Doué inaugurou o marcador e saiu de cena aos 80 minutos. O extremo marcou no único remate enquadrado, conseguindo 13 passes – em 19 – um alívio, um desarme e vencendo três duelos em oito.

O Momento: a infelicidade de Musiala em cima do intervalo

O jovem alemão contorcia-se em dores quando Anthony Taylor apitou para o intervalo. Até então, o Bayern dominara o ritmo e espreitava a vantagem. A partir da saída de Musiala, os bávaros revelaram muitas dificuldades para desmontar e desposicionar a defesa do PSG. Por vezes silencioso, Musiala é tem artimanhas distintas para desatar nós.