«A viabilidade de qualquer mudança do calendário envolve todos os aspetos da organização do futebol em todos os países, desde as raízes da relva aos grandes torneios de seleções e às ligas. A mera sugestão de agendar o Campeonato do Mundo para outra altura que não a tradicional é uma questão crucial para as Ligas Europeias, tendo em conta o impacto na organização dos campeonatos nacionais por toda a Europa e do calendário futebolístico internacional em todo o Mundo», considerou hoje em comunicado a EPFL - que representa as ligas profissionais de futebol na Europa, as mais ricas e poderosas do mundo, incluindo a espanhola, a inglesa, a italiana, a alemã, a francesa e a portuguesa (representada pelo F.C. Porto).

O presidente da FIFA também disse na segunda-feira que espera que a Comissão Executiva da FIFA aprove a proposta de uma mudança de calendário do futebol internacional, em resposta às críticas sobre as condições meteorológicas (temperatura e humidade) do Qatar em junho/julho.

Assim, e em antecipação a este encontro dos órgãos da FIFA, a EPFL considera que «a Comissão Executiva de 3 e 4 de outubro não deve tomar qualquer decisão precipitada». A entidade considera que qualquer mudança do calendário deve ser precedida de uma consulta a todos os decisores, partes interessadas e acionistas do futebol, incluindo «nomeadamente a EPFL». Por outro lado, sublinha que «uma decisão tão importante não pode ser apressada» nem ter «prazos artificiais», uma vez que faltam nove anos para o Mundial do Qatar.

A EPFL também apela a que se estudem os efeitos de uma alteração aos calendários tradicionais, nomeadamente o impacto na organização dos jogos de qualificação e de outros torneios da FIFA, noutros eventos desportivos como os Jogos Olímpicos de Inverno, o tempo de preparação das seleções ou o impacto na vida dos clubes.

Os representantes das principais ligas consideram ainda que nenhuma decisão sobre recalendarização poderá ser tomada sem estudar e levar em conta «as consequências legais, mediáticas e comerciais» dessa alteração, incluindo por exemplo «o impacto no sistema do mercado de transferências» e na empregabilidade dos jogadores profissionais.

Por isso mesmo, e sublinhando a «complexidade e seriedade» do tema, a EPFL reitera o apelo à FIFA para que não tome qualquer decisão sobre alterações ao calendário do futebol sem «um processo apropriado de consulta» que inclua todas as partes interessadas no futebol, incluindo a própria associação.