«Tem de render mais. Não há razão para que Ronaldo, Nani, Simão, Maniche, Tiago... não façam na Selecção o que fazem dos clubes», defendeu o seleccionador, campeão do mundo em 1989 e 1991, que se pudesse convocava «quase todos» os que partilharam o sucesso consigo.

Então tudo era mais difícil para os jogadores que ficaram na história do futebol português, pois, lembrou Queiroz, «tiveram de ganhar primeiro para depois terem alguns privilégios», apesar de nem todos serem casos de sucesso.

Para o técnico a «geração de ouro» não se perdeu, apenas acompanhou o tempo. «Agora é uma geração de ouro, que ganhou troféus, alguns dinheiro, e depois pôde comprar diamantes. Quando as coisas são muito fáceis e se ganha muito dinheiro, compram-se, por vezes, os diamantes primeiro antes dos troféus. Então confunde-se a geração de ouro com a geração do diamante. É preciso trabalhar, ganhar e depois ter os privilégios», defendeu.

E Carlos Queiroz não tem qualquer dúvida sobre a origem do sucesso de há 20 anos. «Se disser, ninguém acredita, que é uma palavra que as pessoas não gostam muito de ouvir, que é trabalho. Preferem ouvir falar em milagres e passes de magia, mas não. Foi muito trabalho e, sobretudo, a capacidade de encontrar gente fantástica e talentos no coração e nos pés.»

Entre «celebrar o passado» de Riade e Lisboa e o presente, o seleccionador prefere «viver no futuro». «Os problemas de agora não são maiores nem menores, são diferentes. Não podemos é pensar que podemos encontrar as soluções do século XXI com respostas que foram úteis no final do século XX, era absurdo», argumentou.

«Procuro estar um segundo à frente, um metro à frente, pensar mais rápido, pensar antes, porque os nossos adversários no futebol são muito fortes. Nascem mais do que nós. Em Espanha são 40 milhões, nós somos dez, portanto, só aí estão a ganhar e temos de nos preparar quatro vezes melhor se queremos estar à frente deles», concluiu Carlos Queiroz.