Como sempre, sou dos primeiros a dirigir-me para o autocarro que nos leva para o estágio pré-jogos. Alguém sobe e chama-me apressadamente para me dirigir ao departamento médico. Rivaldo está lesionado desde há dias e deitado chora. Assusto-me pensando que havia más noticias referente à sua evolução. Não, Rivaldo chorava porque queria ir para estágio e fazer aquilo que mais gosta e melhor faz na vida: jogar futebol. Como um menino a quem o impediram de brincar.

A estagiar em Barcelona esteve o professor Mariano Barreto, actual preparador físico do Alverca e a primeira pessoa que convidarei para trabalhar comigo quando for treinador principal. Espera pelo início do treino na sala onde tomamos o pequeno- almoço. Rivaldo chega e cumprimenta-o, percebe que falam o mesmo idioma e juntos bebem um café conversando como se de dois amigos se tratassem. Mais tarde recordámos os dois alguns meninos de nariz empinado e comparamos com a simplicidade e simpatia de «rivo».

Perdemos um jogo fora e regressamos destroçados. Como sempre um triângulo empático formado por mim, o Simão e o Rivaldo tenta encontrar moral e projectar o futuro com motivação. Rivaldo diz: «Vou chegar a casa, vou ao quarto da Tamyris e do Rivaldinho, vejo se dormem tranquilamente e os beijo. Amanha estarei preparado para novas lutas». Efeito imediato, eu penso: «Se chego a casa e a Tita e o Zé Mário dormem tranquilamente, se os beijo e os «miro» uns segundinhos, amanhã estou como o aço.

Está claro que existem coisas mais importantes do que um jogo de futebol. Pequenos mas significativos episódios poder-vos-ia contar dezenas como consequência destes três anos de convivência diária.

É hora de terminar e dizer claramente que «rivo» é mesmo craque. Que tenha sorte, que coleccione títulos, que maravilhe todos os que amamos o futebol e que a sua fundação de apoio aos meninos das favelas de Recife não pare de fazer o bem. Aí Rivaldo nasceu, aí Rivaldo quer reduzir a fome dos meninos. Te quiero, rivo.