«A montagem de uma superespecial exigiria um prazo de construção de cerca de três semanas. Com a realização da final da Taça da Liga foi preciso encurtar este prazo para apenas 10 dias. A empresa responsável pela obra vai ter que trabalhar 24 horas por dia, o que significa que há um risco», começou por dizer Pedro Almeida em entrevista à Agência Lusa.

O director do Rali lamenta a situação, que não vem ajudar em nada a imagem de Portugal no mundo do automobilismo. «Preferíamos não correr esses riscos tendo em conta aquilo que está em jogo. As superespeciais do Estádio Algarve são uma espécie de montra da capacidade de organização do ACP [Automóvel Clube de Portugal] e do próprio país. Não há margem para um erro, sobretudo se as condições climáticas forem adversas.»

«O futuro do Rali está no comportamento do público»

O chefe da organização deste evento, que conta com cerca de 2.000 colaboradores, aproveitou para advertir o público, o elemento que causa maior preocupação. «Portugal está sempre debaixo de fogo. Acha-se sempre que os espectadores não vão portar-se suficientemente bem, na sequência dos tristes acontecimentos do passado. É preciso transmitir ao público a mensagem de que o futuro do Rali de Portugal passa pelo comportamento das pessoas». De acordo com o director, são esperadas «largas centenas de milhares» de espectadores, que deverão assistir à prova nos 36 postos especialmente montados para o efeito.

Pedro Almeida mostrou-se esperançado no sucesso da competição deste ano, atendendo às novidades. O trajecto é quase completamente novo e «há uma aliciante adicional», divulgou o director do projecto. «Marcus Gronholm vai estar presente com um Subaru de última geração. Não é exactamente um piloto para passear, é um ex-campeão do Mundo», contou Pedro Almeida, não escondendo o desejo de ter «alguém que se batesse com Sébastien Loeb.»

«Faltam referências portuguesas nos Ralis»

Segundo o director do Rali, ter um piloto verdadeiramente empenhado nesta competição e capaz de fazer frente a Loeb era o ideal. Especialmente se fosse português. «É o desejo de qualquer organizador, mas duvido muito que alguém consiga. A supremacia do piloto francês tem sido quase total. Tem dado mostras de uma capacidade extraordinária, que mais ninguém parece deter nesta altura. É, naturalmente, o favorito. [Quanto a pilotos nacionais] há algum tempo que nos faz falta uma figura carismática, como têm, por exemplo, os espanhóis e os franceses. Temos falta de referências. Precisamos desse tipo de vedetas para relançar o espírito dos ralis em Portugal.»

Uma outra novidade na prova é a figura do comissário do ambiente, que Pedro Almeida diz ser «sobretudo um consultor» e já contribuiu para algumas melhorias da competição. «Por exemplo, um dos aspectos resultantes desta ligação é o facto de utilizarmos este ano fitas biodegradáveis com um período de vida que é 100 inferior do que as antigas fitas plásticas. E também escolhemos zonas que não faziam parte de áreas mais sensíveis», explicou o director do Rali nacional.

A quarta prova do Campeonato do Mundo tem um orçamento de 4,5 milhões de euros, mas «não seria possível» sem a comparticipação estatal. «O futuro do Rali de Portugal poderia estar em causa. Se a prova não se disputasse sairia dos planos da FIA [Federação Internacional do Automóvel] como rali do Campeonato do Mundo. Seria preciso voltar à estaca zero e recomeçar com o processo de candidatura. Aí sim, a imagem do rali e do país sairia fortemente beliscada», concluiu Pedro Almeida.