O árbitro não viu e desculpou-se - eu acredito na sua boa-fé - o golo foi validado e valeu ao Real a liderança irreversível no grupo de apuramento; Raúl abraçou-se a Figo e reclamou inocência; os ingleses, incrédulos, aceitaram com o habitual fair-play a errada decisão.

Posteriormente a UEFA pune Raúl com um jogo de suspensão, e inicia-se o debate sobre a justiça ou a injustiça da decisão. Para uns um exemplo e uma inibição para os "enganadores". Para outros uma "uefada" ridícula e um precedente grave - como punir com um jogo de suspensão aquilo que no campo se pune com um cartão amarelo?

O que é ganhar? Como queremos ganhar? São questões básicas a que todos deveremos responder.

Recuemos uns anos. Robbie Fowler cai na área involutariamente e o árbitro assinala penalty. O inglês tenta demover o árbitro argumentando que o juiz tinha sido enganado pela queda. Pela impossibilidade de se modificar a decisão, Fowler recusou-se a usufruir do erro e propositadamente remata a grande penalidade para as maos do guarda-redes. Anjinho ou rei do fairplay?

Raúl foi «esperto» como o definem Guardiola ou Munitis, ou foi «mentiroso» como o definiram muitos outros? E o que pensam os árbitros, a quem tudo se exige, mas aos quais, teimosamente, nenhuma tecnologia é colocada ao dispor?

Quando sobre eles se extrema cada vez mais a pressão, não deveria pedir-se rapidamente ajuda à tecnologia para banir os erros e contrariar os espertalhões? Ou, antes disso... não deveriam os futebolistas dar o exemplo de jogo limpo e leal?

Acredito que a decisão da UEFA tem fundamentalmente um conteúdo simbólico:

Vamos ajudar os árbitros! E os enganadores que se cuidem!