Quanto tempo perdeu em telefonemas só para encontrar o último elemento que faltava para realizar uma «futebolada» e não conseguiu? Tem noção da quantidade de jogos que não se disputaram por falta de jogadores?

Frustrante, não acha?

Por uma série infindável de razões, é cada vez mais difícil organizar um jogo com amigos. A Squadlinker, uma aplicação criada e desenvolvida por um grupo de estudantes e que conta com a participação de Hélder Postiga, pretende evitar precisamente esse tipo complicações.

«A ideia surgiu no Natal de 2017 durante uma viagem a Oliveira de Azeméis que fiz com o Pedro [cofundador]. Estávamos no carro e sugeri marcarmos um jogo de futebol com os nossos amigos. Não conseguimos e pensámos ‘como é possível ser tão difícil marcar um jogo de futebol com amigos?’. O objetivo da Squadlinker é acabar com as complicações quando se quer marcar jogos de futebol, que era o que estava a acontecer connosco naquele dia», relata Miguel Rothes, o outro cofundador do projeto, em conversa com o Maisfutebol.

A ideia de criar uma plataforma que permite marcar jogos entre amigos surgiu, essencialmente, por necessidade, mas não só, conforme explica o outro cofundador, Pedro Balonas.

«A Squadlinker é uma aplicação que combate o sedentarismo. Ao contrário de outras que apelam ao individualismo e que desligam as pessoas umas das outras, a Squadlinker faz precisamente o contrário. É fantástico. Usamos este instrumento atual para ligar pessoas e praticar desporto», diz.

 

Afinal como funciona a aplicação?

«Quem quiser usar esta ferramenta, tem de estar registado. Depois de ter a conta criada, tem acesso à nossa comunidade. Imagine que pretendo participar num jogo e vejo que há vários marcados para esta semana. Quarta-feira até era um dia que me dava jeito, inscrevo-me e partilho o jogo com os meus amigos. De repente, tenho uma equipa para jogar contra outra», explica Miguel Rothes.

O esclarecimento feito acima é referente apenas a jogos públicos, ou seja, eventos aos quais todos os utilizadores têm acesso. No entanto, há a possibilidade de cada pessoa criar jogos privados que, posteriormente, são partilhados somente com quem se queira convidar para os mesmos.

«A ideia principal é ter jogos públicos, mas também oferecemos a possibilidade de fazer jogos apenas entre amigos», elucida Miguel Rothes.

Há sempre aquele amigo que não tem trocado para pagar o aluguer do campo ou que se esqueceu da carteira. A solução para não passar por uma situação idêntica é simples: pagamento online.

«O método de pagamento online facilita imenso. É comum algumas pessoas não terem o valor exato e pedirem a um amigo para pagar a parte delas. Assim que alguém se inscreve no jogo pela aplicação, efetua o pagamento online. O objetivo é facilitar ao máximo o papel do utilizador», diz Hélder Postiga, que aproveita para se juntar ao diálogo.

Os «campos parceiros» da Squadlinker permitem pagar o aluguer do espaço pela aplicação. Mais tarde, a intenção é ter os horários de utilização dos campos disponíveis na aplicação.

«Existe ligação direta aos campos através da aplicação. Depois de falar com o responsável do campo, pode-se efetuar o pagamento online pela aplicação», destaca Pedro Balonas.

«Ainda não temos acesso às marcações dos campos, porque o essencial agora é evitar as tarefas que chateiam as pessoas. Um telefonema de um minuto e meio faz uma pessoa perder assim tanto tempo? Não. Porventura, fazer 20 telefonemas para organizar um jogo chateia as pessoas», completa Miguel Rothes.

Squadlinker não se limita a providenciar jogos, torneios ou ligas privadas. Tenta ir até ao mais ínfimo pormenor, na tentativa de evitar jogos desnivelados.

«Permitimos que cada pessoa faça dois votos por jogo. Há vários níveis de jogadores. O objetivo é haver jogos equilibrados. Por exemplo, um jogador de nível 5 não vai entrar num jogo no qual vão participar nove jogadores de nível 1. Há uma série de crachás para assiduidade, qualidade, pontualidade, entre outros», frisa Postiga.

Hélder Postiga: «Se a aplicação é útil para mim, também será para os outros»

Como se escreveu anteriormente, Hélder Postiga é parte integrante da Squadlinker. Acabou rendido à ideia e ao entusiasmo de Pedro e Miguel que «desenvolveram o projeto a pulso».

«Como este convite, surgiram muitos. Porquê este? Pelo entusiasmo deles. Notava-se que queriam crescer. Além disso, a própria aplicação é uma ferramenta facilitadora a quem quer praticar desporto. É um projeto com pernas para andar», refere.

O ex-futebolista acrescenta ainda que o facto de já ter encontrado obstáculos para organizar um jogo, alertou-o para o papel que aplicação pretende assumir.

«Depois de acabar a carreira, o bichinho manteve-se. Gosto de jogar e, quando tenho disponibilidade, jogo no Parque da Cidade. Às vezes, quero jogar à semana e é complicado reunir pessoas, porque cada uma tem a sua vida. Por isso, quando refleti acerca do sucesso da aplicação, pensei primeiro em mim. Se pode ser útil para mim, pode sê-lo para qualquer outra pessoa. É a ideia que passo quando explico o que é a Squadlinker», sublinha.

 

Squadlinker (da esquerda para a direita): Miguel Rothes (cofundador), Francisco Duarte (responsável Marketing), Hélder Postiga (padrinho e sócio), Pedro Balonas (cofundador) e Rui Moreira (programador). 

É muito fácil chegar a muitas pessoas, mas é cada vez mais difícil captar atenção delas. A frase de Miguel Rothes retrata a sociedade onde estamos inseridos. De forma a prender o olhar de mais gente, a Squadlinker decidiu organizar um torneio de futebol de sete na Universidade do Porto.

«Apresentamos o projeto como o Tinder (ndr: aplicação que promove encontros) para o Desporto. É uma frase curta, as pessoas rapidamente percebem o nosso objetivo e ficam interessadas. Este torneio vai ser disputado entre equipas de cada uma das faculdades. O vencedor de cada torneio interno qualifica-se para uma fase final», revela Francisco Duarte, responsável pelo marketing do projeto.

O intuito destes jogos é associá-los o mais possível à realidade profissional, explica Miguel Rothes. «Os jogos vão ter transmissão em Live Stream, através da plataforma Mycujo. Haverá vídeos com os melhores momentos dos encontros e entrevistas rápidas aos protagonistas.»

Entre uma ou outra sugestão recebidas pelos usuários, o balanço dos primeiros meses é positivo. Pese embora a Squadlinker «nunca vá estar pronta» como reflete Rui Moreira (programador do projeto), o essencial foi conseguido: acabar com as desculpas para não marcar ou participar em jogos de futebol.

«Jogas futebol? Sim. Costumas ter dificuldades em encontrar pessoas para jogar? Sim. Então temos a aplicação perfeita para ti. É assim que gosto de apresentar a Squadlinker», resume Pedro Balonas.