Pouco há para dizer deste jogo que perdoar-me-á que me socorra de uma «frase batida», como diria Sérgio Godinho.

No caso, de uma expressão batida, tão conhecida no mundo do futebol, que até deu origem a um programa de televisão (e dos bons).

“Liga dos Últimos” refere-se, como o próprio nome sugere, a jogos que envolvam equipas que andem fora da rota dos grandes. No caso da I Liga, que lutem pela manutenção.

Mas, como em tudo na vida, nada é taxativo: por serem partidas que envolvem rivais diretos, muitas vezes ganham uma qualidade que não seria expectável.

Que bom seria que esta última frase se aplicasse àquilo com que nos presentearam Tondela e AVS numa noite de Primavera que, pelo futebol praticado nos primeiros 45 minutos, mais parecia de gelo.

Os dois emblemas são penúltimo (Tondela) e último (AVS) classificados e sabiam que, com o campeonato a caminhar para o final, escorregar era proibido.

O Tondela, com um jogo a menos devido ao adiamento da partida com o Sporting, não se queria atrasar perante Nacional e Casa Pia; o AVS, que parece condenado à descida, sabia que só a vitória acalentaria a esperança no milagre da manutenção.

Com várias mudanças (seis no total), o AVS entrou com mais bola perante um Tondela que só mudou um elemento. Mas era uma posse inconsequente.

A equipa beirã equilibrou, mas, para que tenha uma ideia, a primeira parte terminou com… um remate enquadrado para cada lado. E nenhum deles com perigo.

Na segunda parte, era preciso mais e, em abono da verdade, houve melhorias. O jogo ganhou algum interesse, com oportunidades para marcar tanto de AVS (Pedro Lima, ao minuto 56) como de Tondela, que enviou uma bola ao ferro num cabeceamento de Maranhão.

O mesmo ferro que, ao minuto 74, devolveu um remate de Aiko.

Depois do marasmo do primeiro tempo, ficou a sensação de que, se calhar, Tondela e AVS até conseguiriam ter dado um melhor espetáculo. Em especial, a equipa de Bacci que, nos últimos minutos, carregou mais.

Assim, continuam na “Liga dos Últimos”, a lutar pela permanência.

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A FIGURA: Pedro Maranhão:

Foi dos que mais tentou num jogo que não ficará na memória de ninguém. Pedro Maranhão atirou uma bola ao poste e comandou a grande parte dos ataques do Tondela. Fez dois remates, cinco cruzamentos e acaba o jogo com um sinal mais, numa noite em que, quase todos, só merecem o menos.

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O MOMENTO: Duas vezes aos ferros (75m):

As duas melhores chances do jogo pertenceram ao Tondela, mas… esbarram no poste. Em primeiro, foi Pedro Maranhão, com um cabeceamento muito perigoso, e, depois, Aiko, cujo remate acertou em cheio no ferro. A vitória do Tondela ficou a centímetros.

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NEGATIVO: Expulsão de João Henriques:

Ninguém percebeu bem o que terá acontecido quando João Henriques se acercou de árbitro, já depois deste ter apitado para intervalo. A primeira parte não teve qualquer lance de dúvida – pelo menos que tenha sido descortinado -, mas a verdade é que o treinador do AVS se dirigiu a Miguel Nogueira que o expulsou prontamente por palavras.