* Enviado-especial do Maisfutebol aos Jogos Olímpicos

Siga o autor no Twitter

Los Angeles, 1984. Carl Lewis ganha a medalha de ouro nos 100 metros, nos 200 metros, no salto em comprimento e na estafeta do hectómetro. Nunca, até hoje, algum atleta igualou este extraordinário feito no mundo da velocidade olímpica.

Lewis não fica por aqui. Em 1988, Seul, volta a ser o melhor nos 100 metros – após a desclassificação de Ben Johnson, por doping – e no comprimento. A isso junta a medalha de prata nos 200 metros, deixando o ouro para o compatriota Joe DeLoach.

Em Barcelona, 1992, já com mais de 30 anos, Carl Lewis junta-se à estafeta dos 100 metros para voltar ao lugar mais alto do pódio e triunfa na que é, por esses dias, a especialidade favorita: o comprimento, claro.

A despedida chega em solo norte-americano, Atlanta: salto em comprimento, medalha de ouro, a nona na carreira em Jogos.

Carlo Lewis é o Mr. Olympics. O único velocista a reclamar ouro nos 100 metros em duas Olimpíadas consecutivas… até Usain Bolt, claro. O jamaicano dominou a especialidade em 2008 (Pequim) e 2012 (Londres).

No Rio de Janeiro procura deixar definitivamente para trás Carl Lewis, por quem não morre propriamente de amores. Aliás, em entrevista exclusiva ao Maisfutebol, Usain Bolt nomeou Donald Quarrie (medalha de ouro nos Jogos de 1976) e Michael Johnson como únicos ídolos. Sobre Carl Lewis, nem uma palavra.

Imagem icónica: Lewis batido por Johnson em Seul (antes da polémica)

E o que tem Lewis, 55 anos e atual treinador de atletismo na Universidade de Houston, a dizer sobre isto?

«Usain Bolt? Não tenho nenhum problema com ele», diz o antigo campeão, pouco interessado em alimentar uma polémica já antiga. «Nunca o vi, nunca estive com ele pessoalmente. O que me interessa é ver os sprinters dos EUA a vencer. Temos três boas opções nos 100 metros [Justin Gatlin, Travyon Bromell e Marvin Bracy]».

«Nunca vou aos Mundiais e nos Jogos Olímpicos evito ir aos estádios», continua, claramente determinado a evitar confusões. E, nem quando se sugere que o jamaicano pode ser o mais rápido de sempre, Lewis cede.

«O Jesse Owens foi o melhor da era dele e nunca correu contra mim. Eu fui o melhor da minha era e nunca corri contra o Usain Bolt. Não gosto de comparações, são injustas», prossegue.

Carl Lewis deixa mais um recado, precisamente no dia em que arrancam as eliminatórias dos 100 metros no Rio de Janeiro.

«Fui o melhor durante uma década, mas é importante que as pessoas saibam que eu sempre me considerei mais saltador do que velocista».

Usain Bolt tem o recorde do mundo dos 100 metros, 9,58 segundos. Ao nosso jornal, o jamaicano garantiu ser possível ir mais longe. Será que Carl Lewis vai estar a ver?