* Enviado especial do Maisfutebol aos Jogos Olímpicos
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Um homem em cacos. Ricardo Ribas, 134º classificado da Maratona, com um tempo 25 minutos acima do recorde pessoal. O que correu mal no Rio de Janeiro?

«A preparação que fiz foi a ideal. Não alterava nada. Hoje nunca estive bem na corrida. Cumpri um sonho ao estar aqui e prometi a mim mesmo que não podia desistir», disse Ribas aos jornalistas, ainda no Sambódromo carioca.

«Nunca sofri tanto como hoje. Nunca pensei que era possível sofrer tanto», desabafou Ribas, imagem de um corpo violentado pelos mais de 42 quilómetros em prova.

Há alguma explicação concreta para a má prova? Ricardo admite que jamais pensou fazer um tempo tão mau e que só a mensagem de um antigo treinador o levou até ao fim.


«Nem em treinos faço um tempo destes. Ontem recebi uma mensagem de um antigo treinador meu, o Rafael Marques, e ele pediu-me para acabar. Pensei muito nele nos últimos dez quilómetros».

«Corpo, mente… as pernas querem parar e nós não podemos. É como espremer uma laranja e não haver nada», tenta explicar Ricardo Ribas. «Fiz 18 quilómetros sem sumo nas pernas, sem nada para dar».

  

Nesta circunstância, o que é preferível: abdicar ou chegar ao fim com um registo péssimo?

«Se desistisse criticavam-me por ter desistido. Se acabasse com mau tempo também era criticado… tenho uma carreira de 30, tenho o passaporte limpo, dou-me bem com toda a gente, tenho 35 internacionalizações. Estou feliz».