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Ao longo da semana, multiplicaram-se as sugestões, face à ausência de extremos. Adaptar laterais seria a opção lógica, mas Miguel Lopes regressou ao banco de suplentes e David Addy continua a ser um nome para o futuro. Os miúdos, publicitados à luz da Visão 611, continuam longe das convocatórias.

Jesualdo Ferreira reuniu uma equipa entre os escombros e moldou uma táctica maleável. Orlando Sá e Farías não têm ritmo para acompanhar o trabalhador Falcao, lançado em missão solitária à frente de um carrossel de médios. O 4x3x3 do F.C. Porto afunilou, caminhando para o 4x1x4x1. Na prática, a coisa funcionou e bem.

No meio está a virtude

O Rio Ave, também ele a atravessar uma crise de resultados, surgiu com a roupagem habitual. Bruno Moraes foi o coelho na cartola de Carlos Brito, aposta curiosa frente ao patrão, com resposta à altura. O brasileiro não marcava desde 2006 e voltou à festa do golo, alimentando a expectativa em torno do encontro.

O F.C. Porto entrou melhor e parecia gerir o encontro, bem refeito do trauma na final da Taça da Liga. Até o mal-amado Guarín justificava a aposta, isolando Falcao na área do Rio Ave. O goleador acertou em Carlos e emendou a mão com uma assistência para Ruben Micael. O médio rematou de pronto, para o primeiro tento com a camisola azul e branca (20m).

O dragão soltou algum fogo mas relaxou perante a vantagem no marcador. Bruno Alves, sereno após a exaltação no Algarve, calculou mal o efeito do vento e deixou Vítor Gomes dominar nas suas costas. A bola procurou Bruno Moraes para um remate cheio de profissionalismo, demasiado forte para as mãos de Beto (37m).

A etapa complementar apresentou o mesmo figurino, com um F.C. Porto mandão à moda antiga, perante um Rio Ave demasiado expectante. E assim, num abrir e fechar de olhos, surgiu mais uma demonstração de eficácia do desenho de Jesualdo. Guarín abriu para Micael, o endiabrado madeirense viu a corrida de Meireles e este atirou em esforço, para um belo golo (54m).

Movidos a orgulho

Os adeptos locais pediam nova reacção, Bruno Moraes ameaçava mais uma pequena traição ao seu empregador, mas algo parecia diferente. Os vila-condenses acusavam desgaste físico, perante um F.C. Porto ainda mais cansado, utilizando o orgulho como combustível.

A lição do professor, desta vez aplaudida pelos adeptos, recebeu o terceiro prémio a um quarto-de-hora do final. Miguel Lopes entrou para cruzar na direita, Ruben Micael assumiu-se como o homem do jogo e Guarín aproveitou a onda positiva para aparecer diante as câmaras de televisão, com um cabeceamento à boca da baliza. O Rio Ave contestou a posição do colombiano, em vão.

Jesualdo Ferreira foi refrescando a sua equipa, lançando os reforços anunciados por Pinto da Costa. Tomas Costa e Orlando Sá deram energia renovada a um F.C. Porto forte, perante uma equipa vila-condense vergada ao peso dos acontecimentos. Foi-se a alma, foi-se a capacidade física, foi-se grande parte da esperança na presença no Jamor. A segunda mão parece talhada à medida do Dragão.