Miguel Cardoso, treinador do Rio Ave, na sala de imprensa, após igualdade a zero frente ao Belenenses:

«Aquilo que ensaiamos tentámos fazê-lo e quando não se consegue cumprir um objetivo, temos que pensar que não fomos capazes. Mas temos de perceber que não é fácil e há muitas equipas que não o têm conseguido fazer, até com mais espaço no jogo.

Estivemos mal na primeira parte porque não nos conseguimos adaptar à inferioridade numérica. Não fomos capazes de nos reorganizar e tentei alterar para que os centrais ajudassem a jogar por fora. O Belenenses só retirou o 9 e manteve-se fechado.

Na segunda parte estivemos melhor, em função das trocas. Trouxemos o jogo para o jogo o Pedro e o Mané do outro lado, tentando o um contra um por fora porque por dentro sabíamos que ia ser muito difícil. Não nos pareceu que o cruzamento nos beneficiasse. O Meshino entrou porque consegue jogar em espaços curtos e acabou por sair porque eu querer meter nova energia. Tentámos um conjunto de estratégias, mas naquelas oportunidades chave tínhamos que fazer golo e não o fizemos.

[Porque não abdicou de um central ou de um pivô no meio campo] Porque queríamos provocar com os centrais para a atrair com o ala e também por uma questão de equilíbrio. Estes jogos são muito traiçoeiros e repare que na segunda parte o Belenenses quase fazia golo. Não fizemos essa alteração por não querer arriscar tanto e, há que ser realista, um ponto é melhor do que um. Não foi por aí que não conseguimos marcar golo. Não é fácil criar oportunidades. Um ponto acaba por ser um mal menor.

[tempo útil de jogo] Não vou dar azo a mais polémica. O que importa é as pessoas perceberem o que promove o futebol, só vou deixar o seguinte. A semana passada houve um estudo sobre o tempo útil de jogo na nossa Liga. Dos cinco jogos da época com mais tempo útil, dois estão o Rio Ave. É só isto.

[o que pode melhorar na equipa?] A equipa tem de continuar a crescer em todo os momentos de jogo. Tem de fazer um conjunto de coisas que faz amiúde e que tem de fazer com mais regularidade. Temos de ser criativos na bola parada, temos de conseguir sair sobre pressão, ser mais rápidos na circulação, temos de ser mais contundentes no momento de perda, etc. Um conjunto de comportamento que temos vindo a trazer e temos de continuar a crescer».