De Gabriel Veron disse, uma vez, Sérgio Conceição, treinador que o orientou e em quem depositava (fundadas) esperanças: «é um jogador de qualidade; por isso é que o FC Porto o contratou».
Nunca o extremo confirmou, nos tempos de dragão ao peito, o muito que prometeu no Palmeiras. Houve, acima de tudo, uma razão, também explicada pelo mesmo Sérgio Conceição: «não fez, nesses 26 jogos, um jogo completo. Esteve sistematicamente lesionado».
Veron regressou ao Brasil, por lá andou sem grande sucesso, e voltou agora a Portugal no mercado de Inverno, apresentado (com razões para tal) como um bom reforço do Nacional para atacar a luta pela permanência.
Quem estivesse a assistir ao Nacional – Rio Ave de hoje com as palavras de Sérgio Conceição à frente, facilmente perceberia o que quis dizer o técnico.
Quando tocava na bola, Veron – a grande novidade no 11 – mostrava que era diferente dos restantes em campo. Mas, ainda a meio da primeira parte, caiu no chão, teve de ser assistido e chegou a equacionar-se a substituição.
Ela não aconteceu – e ainda bem para o Nacional porque contar a história deste jogo sem falar do extremo brasileiro é impossível. Foi dele o golo que deu início a uma vitória que não parecia, mas acabou a tornar-se muito confortável para o Nacional (4-0 frente ao Rio Ave).
A primeira parte, de resto, foi escassa em grandes oportunidades. Com mudanças de parte a parte (destaque para Miszta, na baliza do Rio Ave, que ficou de fora), as duas equipas, separadas por três pontos, espreitavam, lá no alto da Choupana, fugir aos lugares perigosos da descida.
De toda a etapa inicial, ficou o golo de Veron, num bom remate do extremo, já dentro da área, após um lançamento lateral (34m) e uma defesa de Kaique a um “tiro” de Clayton à meia-volta (32m).
Sabendo que tinha de fazer mais e melhor, o Rio Ave começou a segunda parte com duas alterações e uma ligeira mudança de sistema tático.
O alento que a equipa de Vila do Conde poderia trazer dos balneários, cedo ruiu: Chuchu Ramirez, logo ao minuto 47, alargou a vantagem, num cabeceamento “à ponta de lança”.
Em abono da verdade, o Rio Ave pouco fez por reentrar sequer na luta por um jogo que ficaria sentenciado com mais dois golos do Nacional: Leo Santos (73m) e Witi (90m).
A tarde acabou em festa para o Nacional – e como não? Os madeirenses têm agora 20 pontos, os mesmos do Rio Ave, e subiram ao 11ºlugar.
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A FIGURA: Chuchu Ramirez
Gabriel Veron, como já terá compreendido, também merecia – e poderia ser perfeitamente a escolha para figura do jogo. Pelo golo e por, não tendo deslumbrado, ter feito uma boa partida, abrindo caminho para a goleada. A opção por Chuchu prende-se por duas razões. Uma: além de ter marcado, também assistiu (Veron, precisamente). Outra: é, repetidamente, jogo após o jogo, o elemento diferenciador deste Nacional.
O MOMENTO: Chuchu deita por terra a esperança verde e branca (47m)
O Rio Ave estava a perder, mas vinha dos balneários com novidades. Leia-se: duas alterações que, obviamente, poderiam mudar o rumo dos acontecimentos. Qualquer que fosse o intento do técnico dos vilacondenses, ele caiu por terra logo no início da segunda parte, fruto do golo de Chuchu Ramírez. Nunca o Rio Ave viria, de resto, a encontrar-se num encontro, onde acabou goleado.
POSITIVO: Três jogos na Choupana, sete golos
A veia goleadora do Nacional, a jogar em casa, dá sinais de não abrandar. Na última partida na Choupana, o Nacional marcou três golos no dérbi das ilhas frente ao Santa Clara (que terminaria empatado). Hoje, repetiu a dose, com mais quatro golos e uma excelente vitória frente a um adversário complicado.