Aconteceu em Outubro de 2003, Costinha ainda colocou o F.C. Porto em vantagem, mas Helguera, Solari e Zidane deram a volta ao resultado. Depois dessa derrota, os azuis e brancos arrancaram para um caminhada sensacional que acabaria com a vitória na final de Gelsenkirchen. Nesse aspecto, o regresso do brasileiro traz boas recordações.

A afinidade de Roberto Carlos com a camisola azul e branca vem mais de trás, porém. Vem mais ou menos de 1996, quando conheceu Secretário. Os dois partilharam muito tempo livre em Madrid e travaram uma forte amizade. Roberto Carlos chegou a dizer na altura que Secretário era, ao lado de Cafú, o melhor lateral-direito com quem jogara.

Uma simpatia do brasileiro, parece. Secretário não se lembra dessa frase, mas lembra-se do muito que lhe falou do F.C. Porto. «Cheguei até a dar-lhe uma camisola que tinha usado no F.C. Porto», conta. «Se era uma camisola especial? Não era uma camisola de uma final, mas era especial porque todas as camisolas do F.C. Porto são especiais».

Para além da camisola, ficaram muitas informações. «Ele tem uma excelente imagem do clube e da cidade. Passávamos muito tempo juntos e contava-lhe muita coisa. Não digo que lhe possa ter criado alguma afinidade em relação ao F.C. Porto, mas de certeza que ele já sabe muito do que é aquele clube. Até porque já esteve cá duas vezes», adianta.

«Segredos para parar os livres dele? É complicado»

Secretário espera, de resto, encontrar Roberto Carlos na quarta-feira. «Das duas vezes que cá veio jogou nas Antas, vai conhecer agora o Dragão. Eu vou estar lá, claro. Ainda não falei com ele, porque está sempre a mudar de número». Por isso espera encontrar o brasileiro no fim do jogo. Se o fizer, espera matar saudades e confortá-lo pela derrota.

Roberto Carlos regressa agora mais velho, provavelmente mais lento, mas mantém a imagem de marca que sempre o acompanhou: um remate poderoso. Sobre esse aspecto, diz Secretário, nada a fazer. «Por muito tempo que tenha passado com ele, não há forma de desvendar o segredo para parar os livres dele», sublinha o agora treinador do Maia.

«A única forma é tapar bem o espaço da baliza, fazer uma barreira compacta e não abrir brechas. A ideia é tentar que a bola não acerte na baliza. Se acertar, é difícil. A bola sai com uma potência e um efeito que é muito complicado para os guarda-redes. De certeza que Jesualdo já avisou os jogadores para o perigo dos livres perto da área», finaliza.